24 Horas de Le Mans chega à 80ª edição mais sofisticada

Lendária corrida nas ruas da cidade francesa passa a fazer parte, pela 1ª vez, do Campeonato Mundial de Endurance

MARIO CAMERA / LE MANS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2012 | 03h02

Le Mans, localizada no centro da França, tem cerca de 300 mil habitantes. Pelas suas ruas, circulam apenas 57 táxis. O trânsito não é intenso como nas grandes aglomerações francesas e a oferta de transporte público ajuda a evitar os engarrafamentos. No entanto, a cada ano, durante um dia inteiro, a cidade recebe a mais importante prova de endurance do automobilismo mundial, as 24 Horas de Le Mans.

Neste sábado, às 15 horas (10 horas, em Brasília), o epicentro do esporte a motor voltará ao circuito das 24 Heures para a 80.ª edição da prova. A organização da corrida tem um motivo a mais para comemorar a data, já que as 24 de Le Mans agora também fazem parte do novíssimo Campeonato Mundial de Endurance, que em setembro desembarca em São Paulo para uma de suas etapas.

Este ano, 56 carros vão largar para um dia inteiro de voltas no circuito de Le Mans, um dos mais longos do mundo, com 13,6 quilômetros. Se algum dos carros conseguir bater o recorde de 5.410 quilômetros percorridos por um Audi R15 TDI em 2010, fará um percurso equivalente a uma ida e volta, em linha reta, de Natal, no Rio Grande do Norte, até o litoral da Guiné, na África.

Além de três pilotos revezando-se ao volante de cada carro, as equipes precisam contar com um motor que aguente o tranco de um dia inteiro de frenagens e acelerações bruscas. Essa necessidade de componentes confiáveis para encarar a corrida é, por sinal, uma das essências de Le Mans.

Sua principal categoria, a LMP1, é uma fábrica de novidades desde que a prova foi criada, em 1923 - para-brisa e freio a disco são algumas delas, só para ficar em peças bem conhecidas do público.

Para esta edição, a grande novidade é a decisão da Audi e da Toyota de utilizarem motores híbridos em quatro de seus carros. Até ontem, a aposta parece ter dado certo. Tanto os bólidos do construtor japonês quanto os do alemão têm marcado os melhores tempos nos treinos.

A Toyota é o centro das atenções até agora. Há mais de uma década fora da disputa em Le Mans, a montadora retorna ao circuito. Sua grande concorrente nas 24 horas, a Audi, goza do favoritismo de quem venceu dez edições da prova desde 2000. A última delas no ano passado, com um R18 TDI, guiado pelo alemão André Lotterer, o francês Benoît Tréluyer e o suíço Marcel Fässler.

O Brasil não terá nenhum piloto na lendária prova. No entanto, apesar da ausência no grid de hoje, o País tem uma longa tradição de participações na corrida. A primeira delas ocorreu em 1935, com Bernardo Souza Dantas ao volante de um Bugatti T 57.

Souza Dantas acabou abandonando aquela prova por problemas no câmbio, mas seu pioneirismo abriu caminho para vários outros pilotos brasileiros se aventurarem nas 24 de Le Mans, entre eles, Nelson Piquet e seu filho Nelsinho, Raul Boesel e Christian Fittipaldi.

O prêmio de consolação para os brasileiros na edição deste ano será a presença do tio de Christian no circuito. Emerson Fittipaldi, bicampeão mundial de Fórmula 1, estará em Le Mans para promover a etapa brasileira do Campeonato Mundial de Endurance, que será realizada no dia 15 de setembro deste ano, com as Seis Horas de Interlagos.

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