400 vezes São Marcos

Goleiro palmeirense, herói em conquistas inesquecíveis, atinge marca histórica por seu clube de coração

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

20 de setembro de 2008 | 00h00

O preparador de goleiros Carlos Pracidelli se lembra muito bem quando foi apresentado a cinco garotos em 1992, no Palmeiras. Quatro deles a história tratou de apagar. O outro, o mais alto dos atletas, teve seu nome gravado no clube paulista a na seleção brasileira. Aquele jovem jogador esperou um bom tempo na reserva antes de fazer sua estréia como profissional em março de 1996. Doze anos depois, Marcos completa o jogo de número 400 com a camisa alviverde, contra o Vasco, hoje, às 18h10, no Palestra Itália. Vai ser justamente homenageado pela diretoria com uma camisa e uma placa comemorativa. No futuro, deve ganhar um busto no Palestra Itália. Atualmente, não há ninguém no clube mais identificado com as cores verde e branca do que ele.O Estado conversou com alguns amigos, companheiros e ídolos do camisa 12 palmeirense, que fizeram parte dessa vitoriosa história: Pracidelli, seu primeiro treinador e mentor; Velloso, o titular na época em que Marcos chegou; Valdir Joaquim de Moraes, um dos maiores goleiros do clube e que faz parte da comissão técnica de Vanderlei Luxemburgo; Bruno, o reserva e sucessor do craque.Pracidelli é quem pode falar melhor sobre o pentacampeão mundial. "Alguns diretores me chamaram e apresentaram cinco jogadores do Lençoense. Naquela época o Marcos ainda era cabeludo", diverte-se o ex-funcionário do Palmeiras, que hoje trabalha com Felipão no Chelsea. "Ele fez avaliação comigo em julho de 1992. Tinha um biotipo bom, era magro, prometia...", relembra. "Quando o vi, já sabia que era um diamante bruto que precisava ser lapidado. E virou um diamante do mais alto quilate."Difícil encontrar alguém que fale mal de Marcos. Praticamente impossível. Ele coleciona amigos por onde anda. Ganha fãs. É sempre um dos mais solícitos com os torcedores: tira fotos, dá autógrafos. Um dentre muitos palmeirenses fanáticos teve a sorte de trabalhar com o ídolo. "Eu já o conheço há 11 anos, mas desde 2001 convivo diariamente com ele", diz o reserva Bruno. "Procuro me espelhar no Marcos e devo muito o que tenho a ele."Velloso, titular do gol palmeirense quando o então desconhecido Marcos aportou no clube, recorda-se com carinho do tempo em que trabalhava com o amigo. "Eu vi o seu começo, éramos companheiros de concentração", conta. "Ele sempre soube esperar o momento e aproveitou bem. Fico feliz, porque ele sempre se dedicou muito."Todos os entrevistados pelo Estado tiveram o desafio de escolher cinco partidas de Marcos que entraram para a história. Os jogos das quartas-de-final da Taça Libertadores de 1999, e o da semifinal de 2000, contra o Corinthians, foram os mais lembrados. Assim como o desafio da Mercosul de 2000, contra o Cruzeiro, no Mineirão. "Ele pegou três pênaltis", lembra Pracidelli.Valdir Joaquim de Moraes "falhou" no desafio. Mas não só porque a memória o traiu. "É uma pergunta difícil, já que ele joga bem toda vez", afirma. "A cada partida ele fica melhor."Marcos tem contrato até dezembro de 2009 e pretende prorrogá-lo. Até lá, certamente novas histórias aparecerão para ser contadas pelos amigos.

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