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Reginaldo Leme
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90 anos de Le Mans

Bem que eu gostaria de ver ao vivo as 24 Horas de Le Mans neste fim de semana, mas precisava muito do pit stop desta semana no Brasil depois de cinco corridas seguidas - duas de Fórmula-1 e três de Stock Car - e às vésperas de outros dois GPs em domingos consecutivos, na Inglaterra e Alemanha. Além da importância da lendária Le Mans, que está completando agora 90 anos, há uma boa chance de se ver na pista de Le Sarthe a primeira vitória brasileira nesta que é uma das três corridas mais importantes do automobilismo mundial, junto com as 500 Milhas de Indianápolis e o Grande Prêmio de Mônaco.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2013 | 02h15

Le Mans foi um dos temas abordados esta semana quando juntei dois velhos amigos, Emerson Fittipaldi e Ronnie Von, para gravar o Linha de Chegada que vai ao ar na terça-feira que vem após o SporTV News (em torno de meia noite e meia, com reprise no dia seguinte em três horários diferentes). Os carros que participam das "24 Horas" estão reunidos em um campeonato chamado WEC (campeonato mundial de endurance), que passou a ser uma prioridade da FIA do presidente Jean Todt. Com um total de oito etapas, incluindo a "24 Horas", sendo que a quarta delas é disputada em Interlagos desde o ano passado. Agora em 2013, esta corrida brasileira passa a se chamar "Le Mans 6 Horas de São Paulo". As outras seis, também com duração de seis horas são disputadas em Silverstone, Spa-Francorchamps, Austin, Fuji, Xangai e Bahrein.

Os carros são divididos em quatro categorias. A mais forte é a Protótipo 1, onde estão as equipes oficiais da Audi (3 carros) e a Toyota (2 carros), ambas com motores híbridos. Daí vem a prioridade da FIA. Um dos carros da Audi, campeã do ano passado, é pilotado por um trio formado pelo espanhol Marc Gené, o inglês Oliver Jarvis e o brasileiro Lucas Di Grassi. Na Protótipo 2, o brasileiro Antonio Pizzonia venceu na abertura do campeonato em Silverstone com um Oreca da equipe Delta-ADR, mas não corre em Le Mans para dar lugar ao japonês Shinji Nakano, que trouxe para a equipe um patrocínio extra. Na GTE Pro, Bruno Senna defende a Aston Martin, e é líder do campeonato depois de vencer em Silverstone e chegar em segundo em Spa. E tem outro brasileiro, Fernando Rees, na GTE Am, com Chevrolet Corvette.

Nas 24 Horas, a Audi, com seus três carros nas primeiras posições, luta pela sua 12ª vitória e quarta consecutiva. Mas o trio principal é formado pelo dinamarquês Tom Kristensen, o maior vencedor da história dessa corrida (oito vezes), o escocês Allan McNish e o francês Loic Duval, dono da pole position, com 3min22s349. Lucas divide o carro 3 com o espanhol Marc Gené e o inglês Oliver Jarvis. Chance maior ainda de uma primeira vitória brasileira em Le Mans está na categoria GTE Pro, que tem a equipe de Bruno Senna largando na pole position com o Aston Martin Vantage V-8. Bruno divide o carro com o inglês Rob Bell e o francês Fred Makowiecki, autor da volta que garantiu a pole (3min54s635). Embora as posições de largada não tenham influência numa maratona tão extensa como a de Le Mans, Bruno vibrou com a volta voadora do parceiro. Por causa da duração maior dessa prova em relação as outras do campeonato, os pontos são distribuídos em dobro, inclusive os da pole, o que aumenta a vantagem do brasileiro na liderança do campeonato, saltando de 44 para 48 pontos, contra 38 do alemão Stefan Mücke e o inglês Darren Turner.

O que mais impressiona em Le Mans é a média de velocidade de 242 km/h na classificação e acima de 220 km/h em corrida. Mas o que dá mais prazer nos pilotos é a reta com mais de cinco quilômetros de aceleração plena, na qual o recorde alcançado foi 405 km/h com um WM Peugeot em 1988. Cada volta no circuito de Sarthe mede 13,629 quilômetros e a distância percorrida, se não houver períodos de chuva, será de aproximadamente 5.400 quilômetros. Disputada desde 1923, com exceção do período da Guerra, entre 1940 e 1948, Le Mans foi marcada, em 1955, pela maior tragédia da história do automobilismo, um acidente em que o Mercedes do piloto francês Pierre Levegh voou para cima da arquibancada e matou 84 espectadores. Por causa disso, a Mercedes ficou fora do automobilismo por 34 anos e as corridas são proibidas na Suiça até hoje. A largada, com 56 carros no grid, acontece hoje às 10 da manhã (horário de Brasília), com transmissão ao vivo do SporTV da primeira e da última hora de corrida.

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