A 180 minutos de um sonho corintiano

Corinthians inicia a decisão com o Boca Juniors sob pressão em La Bombonera e vai em busca de um bom resultado para se consagrar no Pacaembu, na próxima semana

FÁBIO HECICO, RAPHAEL RAMOS , BUENOS AIRES, ENVIADOS ESPECIAIS, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h09

O Corinthians está a dois passos do paraíso. O maior sonho da Fiel nunca esteve tão perto de ser realizado. Faltam apenas 180 minutos e o penúltimo degrau para o Alvinegro poder alcançar o topo da América será vencido hoje, a partir das 21h50, no mítico Estádio de La Bombonera, em Buenos Aires, diante do perigosíssimo Boca Juniors.

Com um time sem craques, formado apenas por "operários", o Corinthians, enfim, chegou à final da Libertadores depois de 52 anos de história da competição. E é justamente essa face "cascuda" e "raçuda" da equipe que faz o seu torcedor acreditar que "deste ano não passa".

Na maioria das nove vezes que o Alvinegro caiu na Libertadores antes de atingir o Olimpo, a equipe contava com vários jogadores acima da média (para ficar nos exemplos mais recentes, foi assim em 1999, 2000 e 2006), mas falhava na hora H, talvez por se arriscar demais e não saber dosar o tempo de jogo.

Com esse time de Tite, não há ousadia. A equipe vai ao ataque na base do conta-gotas. Parece saber exatamente o que quer do jogo e não se deixa levar pelo adversário. Se não marca muitos gols, pelo menos não toma também - foi vazado apenas três vezes em 12 jogos, melhor marca da história da Libertadores. Assim, o Corinthians foi derrubando seus adversários e se fortalecendo ao longo da competição - não custa lembrar que a trajetória da equipe começou com um suado empate por 1 a 1 contra o fraco Deportivo Táchira, garantido apenas nos minutos finais, com um gol de cabeça do volante Ralf.

A maior prova de que dá para confiar nesse time foi dada à Fiel nas semifinais contra o Santos. Sem jogar um futebol vistoso, de encher os olhos, a equipe soube anular as principais peças do atual campeão da Libertadores (leia-se Neymar e Ganso) e aproveitar os espaços oferecidos. Simples assim, chegou à decisão com todos os méritos.

O mesmo esquema. Contra o Boca, a tática não será alterada. Sem se expor, a meta é voltar para casa com pelo menos um empate. Na pior das hipóteses, derrota por apenas um gol de diferença - na final, gols marcados fora de casa não contam mais como critério de desempate. Em uma decisão de 180 minutos, Tite sabe muito bem que é importantíssimo chegar ao dia 4 de julho no Pacaembu em boas condições. Além de fazer bem para o moral do grupo, isso inflará ainda mais a fanática torcida corintiana.

Tanta confiança é retratada com o comportamento de quem acompanha ou torce pelo time do Parque São Jorge.

No embarque, em São Paulo, clima festivo. No desembarque, a mesma coisa. A torcida, antes receosa, agora arrisca até sua pele para ver o time de perto, na torcida adversária.

Entre os dirigentes, difícil não ver um mostrando a alegria num farto sorriso e ar de satisfação. Como nunca se viu, o Corinthians está mais do que pronto para deixar de ser o alvo das piadas dos adversários.

Basta provar que a crença de sua torcida é maior do que qualquer feitiço vinda de todos os lados. Manter a invencibilidade de 12 jogos na competição deste ano é dar um passo gigantesco à glória.

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