A angústia da fluência

Boleiros

Daniel Piza, daniel.piza@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2008 | 00h00

Hoje começa a Libertadores para o São Paulo, time que tem sofrido para reencontrar o futebol eficiente do ano passado. Se jogar contra o Nacional Medellín, na Colômbia, o que jogou contra o Noroeste, domingo, voltará com derrota. Embora seja o clube brasileiro mais consciente das necessidades de continuidade e planejamento, sua adaptação às novas contratações não tem sido fácil. O caso, além de comprovar que os "grandes" estão tropeçando em si mais do que nos "pequenos", mostra de novo quantas variáveis cabem no futebol.Dos titulares de 2007, o time perdeu Breno, Souza e Leandro. Breno é ótimo zagueiro, tanto que Juninho, que não atuava em linha no Botafogo, tem sofrido para substituí-lo; para complicar, Alex Silva está contundido. Souza e Leandro não são grandes jogadores, mas corriam muito, faziam aproximações e protegiam a bola. Sem eles, o time ficou menos compacto; basta ver como Jorge Wagner, embora competente nas cobranças de falta e escanteio, tem errado nos passes. Carlos Alberto foi o único meia contratado (se é que Hernanes não pode vir a ser esse meia, em vez de volante), mas está fora de forma e é mais individualista. Na frente, Adriano, mais goleador do que Aloísio, tampouco sabe tocar de primeira e insiste demais no cabeceio.Com tudo isso, mais alguns equívocos de Muricy como escalar Richarlyson de zagueiro (não por acaso expulso num lance em que estava como último homem de marcação), o time perdeu aquilo que tinha de melhor no ano passado: fluência, sincronia, entrosamento. É claro que tem um elenco competitivo - e a vinda de Éder Luís, do Atlético-MG, é obviamente para abrir disputa pela vaga de segundo atacante, pois Dagoberto ainda não realizou seu potencial - e que pode melhorar para avançar na Libertadores. Mas é bom que seja logo.DÉRBI DOMINICALDomingo tem Corinthians x Palmeiras. O Palmeiras tem melhor elenco, o Corinthians vive melhor momento. Como o São Paulo, o Palmeiras ainda não encontrou a afinação entre os jogadores que ficaram e os que chegaram. Tem bons zagueiros, volantes e alas, tem Diego Souza e Valdívia - que não é craque, mas um raro jogador que ainda toma decisões surpreendentes com a bola nos pés -, tem enfim um jogador com faro de gol, Alex Mineiro, etc. Mas falta coordenar meias e alas, marcar mais adiantado e não deixar que a apatia surja antes da vitória garantida. O Corinthians, por sua vez, acertou o sistema de marcação, mas padece demais para fazer gols. Sua esperança está no contra-ataque veloz com André Santos e Lulinha às costas de Élder Granja e Leandro. A ver.TIPOS DE COMENTARISTASRaras vezes recebi tantos emails como depois da coluna da semana retrasada sobre os tipos de comentaristas, mostrando que há aí uma insatisfação represada e tanto. Destaco o de Walter Cereja Pinto, que propôs um quarto tipo: "Chamo de comentaristas de oportunidade: aqueles que não se sentem constrangidos em mudar totalmente sua análise em face da alteração do resultado da partida, muitas vezes por lances fortuitos, lances de pura sorte e até mesmo por erros do juiz." Boa. Mais do que um tipo de comentarista, porém, esse é o problema da opinião em geral: o medo de se comprometer, de olhar os fatos como eles são. Não à toa é mais conveniente, meu caro Antero Greco, encaixotar-se em uma categoria.

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