À beira do racha Entidades pressionam e times reagem

Nos 60 anos de história da Fórmula 1 nunca a perspectiva de um racha entre as equipes e a união formada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA), do presidente Max Mosley, e a Formula One Management (FOM), de Bernie Ecclestone, foi tão grande. Não é a primeira vez que os representantes dos times entram em rota de colisão com aqueles que exploram os direitos comerciais da competição (FOM) e quem normatiza e fiscaliza o cumprimento das regras (FIA), mas a situação é tão séria que pode não estar longe uma ruptura total entre as partes. Por que há esse risco de as escuderias não mais aceitarem FOM e FIA como as entidades gerenciadoras do evento e partir para a criação de um campeonato próprio?Primeiro, o perfil dos proprietários das equipes mudou nos últimos anos. A Fórmula 1 assistiu aos apaixonados e abnegados donos de equipe, os chamados "garagistas", como Ron Dennis, Peter Sauber, Jackie Stewart, Ken Tyrrell, mais Luciano Benetton, serem substituídos por grandes indústrias automobilísticas, como Mercedes, BMW, Ford, Honda, Renault, além da chegada da Toyota. É com gente desse lastro financeiro e administrativo que Mosley e Ecclestone agora negociam. Gente que não media esforços para investir US$ 400 milhões por ano na F-1. A crise os fez rever tudo e perguntar: por que ficar com tão pouco da fortuna proveniente, principalmente, da venda dos direitos de TV? Está no ar agora uma luta de poder. Por dinheiro. As escuderias nunca foram unidas. Mas desde o ano passado tem sido diferente. Os times formaram a Formula One Teams Association (Fota), presidida por Luca di Montezemolo, e as propostas de mudanças têm, agora, caráter unânime. É histórico.O que fez Mosley, dia 17? Lançou uma regra altamente polêmica, a fim de ganhar adeptos dentro das dez equipes e provocar uma divisão na Fota: quem acatar a limitação orçamentária de 33 milhões imposta para 2010 poderá desenvolver o carro aerodinamicamente e o motor, dentre outras vantagens. Quem não quiser terá de manter tudo congelado. Caso a dupla da FOM/FIA resolva radicalizar, a briga já foi aceita. Eles poderão ficar com o nome Fórmula 1. Mas sem os times. Estes formarão o seu campeonato próprio.

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