A bela é fera em dois esportes

Jaqueline Mourão poderia ser modelo ou médica; preferiu de dedicar ao mountain bike e ao esqui cross-country

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 00h00

Ela poderia ser modelo, médica, mas escolheu o mountain bike. Em Pequim, Jaqueline Mourão competirá na condição de única atleta que já representou o Brasil nos Jogos de Verão e de Inverno. A atleta admite que, aos 32 anos, está será a última vez que competirá pelo País sobre uma bicicleta, Mas não será a derradeira despedida. Depois da China, a meta será se dedicar ao esqui cross-country e participar da Olimpíada de Inverno de Vancouver, em 2010.A origem de Jaqueline não apontava um futuro no esporte. "Meu pai era joalheiro, minha mãe professora de geometria industrial", conta. Na infância, a principal diversão era acampar na Serra do Cipó, próxima a Belo Horizonte, onde mora. "Foi quando descobri que gostava da liberdade, de ficar em contato com a natureza." Segundo a ciclista, a família sempre a incentivou a praticar exercícios. "Fiz de tudo: natação, ginástica... Testei várias modalidades, mas ainda não tinha encontrado o meu esporte", conta.Tudo mudou quando Jaqueline fez 15 anos. A beleza proporcionou à adolescente ganhar dinheiro como modelo. "Mas um certo dia fui ver uma competição de mountain bike. Quando percebi que poderia unir o esporte à liberdade de ficar ao ar livre, me apaixonei na hora."Jaqueline comprou uma bicicleta e foi buscar as primeiras trilhas. "De cara tomei um tombão e ralei toda a perna. Foi o fim da minha carreira de modelo." Mas a perna machucada não a fez desistir; pouco tempo depois, ela já disputava competições locais.A atleta prosseguiu se dividindo entre escola e bicicleta até que passou no vestibular de medicina e mudou-se para Petrópolis (RJ). "Mas não conseguia conciliar a medicina e o mountain bike. Quis largar o curso. Minha mãe disse: ?tudo bem, mas você tem de ter um diploma?." A ciclista, então, foi estudar educação física e continuou pedalando. Em 1998, sofreu um grave acidente, fraturando tíbia e fíbula. "Foi um divisor de águas. Ali, fazendo abdominais e exercícios para os braços enquanto me recuperava pensei: ?Um dia vou disputar uma Olimpíada?."Como aluna aplicada, Jaqueline teve a oportunidade de fazer um curso em um centro de ciclismo na Suíça, em 2002. O contato com o primeiro mundo do esporte levou a atleta a evoluir . Em 2003, ficou entre as 10 melhores do planeta e conseguiu a vaga para partipar dos Jogos de Atenas. Após a Olimpíada, Jaqueline foi para o Canadá com o marido, atleta de esqui cross-country. "Quando experimentei, odiei. Depois fui aprendendo e surgiu a idéia de competir pelo Brasil nos Jogos de Turim." A ciclista conseguiu índice e foi à Olimpíada. Na volta, retomou os trabalho na bicicleta. A meta: ir a Pequim. "Será minha última competição no mountain bike. Vou sair satisfeita pelo que fiz na carreira." Após os Jogos, Jaqueline vai se dedicar ao esqui. "Quem sabe não ganho medalha em 2010?"

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