A cada gol da França me sentia zonzo como a seleção

A Copa de 98 foi a mais sui generis das cinco que acompanhei. Experiência diferente, porque estive em Paris, participei ativamente da cobertura da competição, mas não assisti aos jogos nos estádios. Explico. Viajei para a França como um dos enviados da ESPN/Brasil e não havia credenciais suficientes para que todos da equipe freqüentassem os locais das partidas. Por isso, parte do grupo de repórteres, narradores e comentaristas teve documento que lhes dava livre passagem só para circular pelo imenso Centro Internacional de Imprensa (IBC).Havia expectativa e tensão próprias de final de Copa, no IBC, naquele 12 de julho. Centenas de jornalistas desde cedo preparavam material sobre o duelo em Saint-Denis. A turma da ESPN/Brasil madrugou e por volta de 11 da manhã quase todo mundo já estava a postos na pequena e movimentada área em que havia instalado a redação e os estúdios.No começo da noite, zum-zum se espalhou pelo IBC, porque na escalação do Brasil aparecia Edmundo no lugar de Ronaldo. Corre daqui, telefona dali, e não havia explicação convincente para a ausência do Fenômeno. Mais perplexidade ocorreu quando, pouco antes de os times entrarem em campo, lá estava o nome do camisa 9 na súmula oficial. E dá-lhe enxurrada de informações desencontradas a respeito do que havia acontecido.A bola começou a rolar e, junto com ela, sobressaía o talento de Zidane. O maestro dos "Bleus" se impunha em campo, diante de um Brasil atordoado como Ronaldo. Os gols saíam, e resolvi caminhar pelo IBC. Nos estúdios de tevê, nos espaços reservados às rádios, nas bancadas destinadas aos jornais, se espalhava estranho sentimento. Ao lerem em meu crachá que era brasileiro, os estrangeiros me perguntavam o que acontecia com o Brasil, tão apático, zonzo. "Não sei", respondia. Só sabia que, assim como o time de Zagallo, também me sentia nocauteado pela França, da mesma forma como em 82 perdia o rumo a cada gol de Paolo Rossi. Na madrugada de 12 para 13 de julho, não dormimos - pelo trabalho e pela frustração com a derrota.

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