A China cresce. Haverá recursos para todos?

O acelerado crescimento das últimas três décadas transformou a China no maior consumidor de recursos naturais do mundo, o que jogou o preço internacional de todos eles nas alturas. Os Estados Unidos ainda mantêm a liderança no ranking, no caso do petróleo, mas a China está em segundo lugar e o aumento da sua demanda explica grande parte da alta recente da cotação do produto.Para alimentar a expansão de sua indústria e seu rápido processo de urbanização, a China abocanha cerca de 35% de todo o aço produzido no mundo e metade do cimento. O aumento da renda de sua população gigante e a integração ao mercado global também colocaram a China no topo da lista dos maiores compradores de grãos e carnes, acima dos Estados Unidos, o antigo detentor do título de "nação consumidora".A voracidade chinesa continuará a crescer nos próximos anos, na medida em que mais pessoas se incorporem ao mercado de consumo, mudem para as cidades, comprem casas e passem a dirigir carros. Tudo isso significa mais demanda por aço, cimento e petróleo. É para este cenário que os investidores olham quando pensam no preço do petróleo e vêem um potencial desequilíbrio entre oferta e demanda no futuro. A Agência Internacional de Energia estima que a China e a também superpopulosa Índia responderão por 45% do aumento da demanda de petróleo até 2030.Para produzir aço, os chineses continuarão a comprar sua matéria-prima, o minério de ferro, principal item da pauta de exportação do Brasil para o país asiático, com 35% do total das vendas de US$ 10,75 bilhões registradas no ano passado. Só em 2008, o preço do produto foi reajustado em cerca de 70%, alta explicada quase totalmente pela demanda chinesa. Os plantadores de soja do Brasil são o outro setor favorecido pela emergência do país asiático, que se tornou o principal mercado internacional do produto nesta década. A soja aparece em segundo lugar na pauta de exportação brasileira para a China, seguida pelo petróleo.Quando o assunto são bens de consumo, os chineses já lideram na compra de geladeiras, celulares, TVs e uma infindável lista de outros itens.Ainda estão no segundo lugar em carros, mas deverão ultrapassar os Estados Unidos e assumir o primeiro lugar até 2020. A grande dúvida é saber se a Terra é grande o bastante para acomodar 1,3 bilhão de chineses sonhando o sonho americano de consumo ou se o mundo todo - incluindo os americanos - terá de sonhar um sonho mais frugal, onde caibamos todos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.