A chuva e Rubens Barrichello

Grand Prix

Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

11 de julho de 2008 | 00h00

Já faz um bom tempo que não falo do Rubinho aqui na coluna. O momento não tem sido de bons resultados e, mesmo as boas corridas que ele já havia feito este ano, andando lá atrás, fora dos pontos e da posição em que ele e a Honda deveriam estar, ficaram apagadas diante do equilíbrio que marca a briga pelo campeonato. Portanto, é com alegria que, desta vez, eu dedico a coluna toda ao Rubinho, o melhor piloto do GP da Inglaterra de domingo passado e, certamente, um dos maiores da história das corridas com chuva. Ainda na transmissão de TV do último fim de semana, foi lembrada a única prova de F-1 disputada em Donington, que será a nova sede do GP da Inglaterra a partir de 2010. Isso aconteceu em 1993 e, até hoje, a primeira volta do Senna naquele dia é tida como a "volta mágica" de abertura de um GP. Isso porque ele largou em 4º e já estava em 1º quando passou diante dos boxes. Só que a volta inicial do Rubinho na mesma corrida foi melhor que a de Senna. Ele largou em 12º e completou a primeira volta em 4º, fazendo 8 ultrapassagens com um carro Jordan, debaixo de chuva. Uma façanha que acabou ofuscada pela do Senna, por se tratar do líder e um tricampeão mundial. Mas jamais será esquecida pelos que acompanham a F-1. Pois é. Choveu de novo domingo. E ninguém andou tanto quanto Rubinho Barrichello, embora o mais premiado, claro, tenha sido Lewis Hamilton, aquele em que na semana anterior ao GP, toda Inglaterra perguntava se ele seria capaz de conseguir uma vitória em casa. Minutos depois da bandeirada, eu mandei uma mensagem via celular para Rubinho, dizendo da alegria que era ter visto não um brasileiro, um amigo ou companheiro, mas um piloto, seja ele de onde for, andar daquele jeito. Ele saiu do 16º lugar, fez ultrapassagens sem muita negociação, brigou com McLaren, BMW, Renault - a Ferrari não está nesta lista porque ficou logo para trás - e chegou ao pódio com um 3º lugar porque falhou a bomba que injetou gasolina no segundo pit stop. Se a bomba tivesse feito bem o seu papel, Rubinho teria sido o 2º colocado. Na segunda-feira ele me respondeu o SMS. Contente, claro, mas consciente de que ele só fez o que a alma e o talento mandaram. Resumindo, divertiu-se como ninguém. Eu continuo na Inglaterra e, depois de ler todos os jornais, me certifico que não exagerei ao dizer na TV que Barrichello está entre os melhores pilotos de chuva da história da F-1. Mas quantos são esses melhores? Cinco, quatro, três? Eu vi Jacky Ickx, um especialista na chuva. Assim como Ronnie Peterson, Keke Rosberg e alguns outros no decorrer de três décadas. Incluindo Michael Schumacher e Ayrton Senna. Shows inesquecíveis de Senna. Mas acredito que, se houvesse um campeonato com 18 corridas na chuva, nem para Michael Schumacher Rubinho perderia o título. Ou seja, ele é o melhor de todos na chuva. Sem exagero. Aliás, da mesma forma como enalteceram Barrichello, os jornais europeus levantaram dúvidas a respeito da habilidade de Felipe Massa na chuva. Já falamos disso algumas vezes e ele diz que não se incomoda com pista molhada. Vi poucas vezes - algumas ruins, outras normais - e, portanto, é algo ainda a conferir. O certo é que isso não pode desqualificá-lo como candidato ao título. Nelson Piquet e Niki Lauda detestavam corrida com chuva e foram tricampeões. Alain Prost, então, tinha verdadeiro pavor, e foi tetra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.