''''A cobrança deve ser a mesma''''

Luís Cláudio Lula da Silva: filho do presidente Lula e auxiliar-técnico no Palmeiras.[br]Aos 22 anos, diz não receber tratamento diferenciado no clube e acha que o pai torce para ele ir para o Corinthians

Entrevista com

Daniel Akstein Batista, O Estadao de S.Paulo

01 Fevereiro 2008 | 00h00

Ele chama a atenção por onde passa por causa do sobrenome famoso. E, ao contrário do pai, não veste a camisa do Corinthians. Pior: segue com o distintivo do rival Palmeiras no peito. Luís Cláudio Lula da Silva, de 22 anos, é filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e auxiliar-técnico no Palestra Itália desde 6 de janeiro, com contrato de dois anos. Cursa o último ano de Educação Física na FMU (na capital paulista), mora em São Bernardo do Campo, passou mais de um ano trabalhando com os jogadores sub-15 do São Paulo, diz não gostar de política e avisa: não quer conseguir trabalho só por ser o filho do presidente. No começo de Palmeiras, você evitou entrevistas. Foi uma decisão sua? Eu fiz um acordo com o Luxemburgo (técnico da equipe) de não falar nada no início. Eu queria me ambientar melhor. E já se sente em casa? Ôrra, os jogadores e a comissão técnica são todos simpáticos. No começo eu tinha uma tremenda vergonha, mas em uma semana desandou. Achei que ia ficar excluído, mas não. Você estava no São Paulo antes de vir para o Palmeiras. Por que a troca? Eu saí em dezembro e em janeiro já vim para cá. Eu e o Luxemburgo temos amigos em comum. Em uma conversa com ele (o técnico), disse que estava no São Paulo e ele falou: ?Vem trabalhar comigo?. Nossa, não interessa nem o salário, o Luxemburgo é um dos meus ídolos. Mas o São Paulo não pediu para você ficar? Eles até perguntaram se eu não queria ir para o profissional. Não quis. E tem alguma diferença no seu trabalho aqui no Palmeiras em relação ao do Morumbi? Lá eu cuidava de moleques de 15 anos, aqui é totalmente diferente, trabalho com os profissionais. E o que você realmente faz aqui? Sou auxiliar-técnico. O Vanderlei quer que eu aprenda com ele, pede para eu ficar observando todas as áreas: fisioterapia, preparação física, tudo. E quando dá pra ajudar, vou ajudar, carrego bolas... Não fico parado. Você sente um tratamento diferente por ser o filho do presidente? Aqui não tem nada, além do respeito. Nunca fiz nada para ninguém. A cobrança deve ser a mesma. Não quero que joguem na minha cara que estou num grande clube por ser o filho do presidente. Conversa bastante com seu pai? Falo direto com ele, tenho orgulho dele. E não o vejo como o presidente, mas sim como meu pai. Às vezes ele vem em casa, às vezes vou pra Brasília. E conversam sobre política? Não gosto de falar de política porque não é a minha área. Não entendo nada. E meu pai não gosta de levar trabalho para casa. O que seu pai, corintiano, fala para um filho que trabalha no rival? Ele tira sarro, lógico, mas torce pela minha vitória. Quando falei com o Luxemburgo (em dezembro), fui conversar com meu pai, pedir conselhos. Mas acho que no fundo ele torce para eu ir para o Corinthians. Ele já pediu isso? Nunca falou, não quer me obrigar a nada. Alguém já o xingou por ser filho do presidente? Já ouvi críticas, é natural. Alguns torcedores do São Paulo já ficaram gritando... Quer ser treinador ou preparador? Treinador. E tem um prazo para isso? Ainda sou muito novo para essa carreira, não quero dar a cara para bater à toa. O Luxemburgo fala para eu estudar bastante. O Luxemburgo é tudo isso o que falam no quesito competência? Eu esperava até menos. Se eu for metade do que ele é, já está ótimo. Aliás, podia ter metade dele e metade do meu pai. Quais características de cada um? Ah, melhor não falar.

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