A Copa-14 já começou; a fiscalização também

Cinco anos antes de o juiz apitar o início da partida inaugural da Copa de 2014, o Mundial já começou. Movimentam-se os atores que participarão da organização do evento. Entre eles, a Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara. Que, para evitar a repetição da farra com o dinheiro público ocorrida nos Jogos Pan-americanos do Rio, vai monitorar, com acuidade, a aplicação do dinheiro do contribuinte no evento. O exemplo, recente e lastimável, é paradigmático. Quando a cidade do Rio de Janeiro assegurou, em 2002, o direito de hospedar o Pan, estimou-se que a sua organização custaria cerca de R$ 400 milhões, bancados, em grande parte, pela iniciativa privada. O balanço final do evento acusou gastos em torno de R$ 4 bilhões, a maior parte deles garantidos pelo governo federal.Dois anos transcorridos do encerramento do Pan, a sociedade ainda aguarda os números finais sobre esta sangria de dinheiro público e a consequente responsabilização dos gerentes do descalabro. Antes, contudo, que esta caixa preta seja aberta, o Brasil defronta-se com o desafio de organizar a Copa de 2014. Tarefa que exigirá investimentos em 40 bilhões de euros pela Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib). Quanto o governo federal desembolsará é, ainda, pergunta que paira no ar. Questionamento a ser respondido por intermédio da elaboração de um plano de trabalho destinado a evitar que, após a malversação dos cofres públicos, os órgãos de fiscalização tenham de correr atrás do prejuízo. Porque, aí, a bola estará no fundo das redes. E consumado o prejuízo irreversível para a nação. É indiscutível que captar grandes festivais é estratégico para dinamizar a economia de um país. A Austrália, ao sediar os Jogos Olímpicos de 2000, colheu benefícios exponenciais após investir mais de US$ 4 bilhões na organização do evento: US$ 100 dólares para cada dólar investido, impacto de sete bilhões de dólares australianos no PIB, criação de cem mil empregos, ingressos financeiros na indústria do turismo superiores a US$ 755 milhões. Largos, igualmente, foram os efeitos da Copa do Mundo da Alemanha: 556 milhões de euros de lucro, crescimento do PIB equivalente a 8 bilhões de euros, criação de 50 mil novos empregos, ingresso de novos 2 bilhões de euros no rastro da expansão da demanda turística e o fortalecimento da marca ''Alemanha'', que assumiu o segundo lugar no ranking dos melhores valores do mundo.Destino turístico cujo potencial necessita ser amplamente desenvolvido, o Brasil, ao assegurar o direito de hospedar a Copa, obrigou-se, a revitalizar as cidades-sedes e a garantir facilidades inúmeras para realizar a competição. Para atender a demanda pelos recursos financeiros indispensáveis para as obras, que extrapolam a capacidade de investimento das cidades-sedes, o Palácio do Planalto orientou o BNDES a oferecer linhas de financiamento para quem desejar investir em obras de reforma e construção de estádios, hotéis e áreas de hospitalidade.Prevendo que os recursos para adequar as cidades-sedes serão bancados, em sua quase totalidade, pelo governo federal, a Comissão de Fiscalização e Controle criou a Subcomissão Permanente para Acompanhamento, Fiscalização e Controle dos Recursos Públicos Federais Destinados à Copa de 2014. Que, além de propor ao Tribunal de Contas da União, ao Senado e aos governos estaduais e municipais a criação de um rede de fiscalização preventiva, recomendou ao Ministério do Planejamento a inclusão de rubrica específica para as despesas do Mundial do Brasil no Orçamento da União. Para garantirtransparência total ao controle dos gastos.Atesta a economia do entretenimento que megaeventos consagram-se pelo sucesso de público e financeiro. E geram legados sócio-econômicos de longo prazo. Para que essas auspiciosas perspectivas concretizem-se, a Câmara dos Deputados, por intermédio da Subcomissão da Copa de 2014, exercitará, com rigor e método, a tarefa de fiscalizar o gasto do dinheiro público. Com singelos objetivos: contribuir para a impecável realização do Mundial e salvaguardar os cofres públicos de tentações indevidas, cobiças mesquinhas e assaltos de ocasião. * Deputado (PSDB-SP), jornalista, presidente da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara dos Deputados

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