A decisão é agora

Muricy perdeu o Paulistão de 2006 na Venezuela. Três dias depois de vencer o Caracas por 2 x 1, pela Libertadores, perdeu por 2 x 0 para o São Bento, em Sorocaba. "Foi aquele jogo em que viajamos muito e chegamos mortos!" No ano seguinte, o Paulistão acabou no Peru. Três dias depois de vencer o Alianza por 1 x 0, em Lima, o treinador escalou seus titulares na semifinal estadual. Apanhou por 4 x 1 do São Caetano.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

O débâcle brasileiro na Libertadores tirou o Cruzeiro do caminho do Santos. Colocou a Colômbia. "Vai ser complicado mesmo", admite Muricy Ramalho, referindo-se ao segundo jogo das finais contra o Corinthians, três dias depois de enfrentar o Once Caldas, em Manizales.

Ou o Santos ganha o Paulistão hoje, contra o Corinthians, ou corre o risco de ver seu favoritismo ir pelos ares, no voo que trará a delegação de volta da Colômbia.

O contraponto também é verdadeiro, como mostrou o sepultamento coletivo dos clubes brasileiros na Libertadores, no meio da semana. "O que está errado é a distribuição dos jogos pelo calendário", defende o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes.

Nem Mano, nem o preparador físico da CBF, Carlinhos Neves, julgam que se deve levar as mãos à cabeça em sinal de desespero por causa das eliminações do meio de semana. Pela primeira vez em 17 anos, o Brasil terá apenas um representante nas quartas de final. Mas nos dois anos anteriores, alcançou o recorde de quatro clubes entre os oito melhores do continente.

A receita do fracasso traz uma pitada de arrogância e outra de cansaço. Ano passado, o Internacional foi campeão da Libertadores na 49.ª partida do ano. Em 2007, o Boca Juniors levantou a taça no jogo 32. É um dos problemas, não o principal. "Hoje, não sabemos exatamente qual o padrão de nossas equipes, porque elas não têm continuidade", é a opinião do técnico vice-campeão da Libertadores de 2007, Mano Menezes.

O diagnóstico indica que o paciente não é terminal, mas exige cuidados. Sair das férias para três meses de Estaduais sem graça têm servido apenas para desgastar os jogadores para a maratona de decisões de abril, mata-mata duas vezes por semana, só para os sobreviventes. A cura exige espalhar a Copa do Brasil pelo ano inteiro e reduzir o tamanho do Paulistão, para evitar as decisões simultâneas.

O calendário é o câncer do futebol brasileiro. Na quarta, contribuiu para matar quatro. Para não ser o próximo, é melhor o Santos ganhar hoje.

Preocupações. Tite confia em Liedson, mas ele marcou apenas uma vez nos últimos sete jogos. O Corinthians tem uma indicação do que está acontecendo. Enquanto os principais jogadores do País estão no meio da temporada, ele está no fim. Pelo Sporting, disputou 25 partidas em Portugal e marcou dez gols. Somam-se a esses números, 14 partidas pelo Corinthians e 11 gols. De agosto para cá, 39 jogos.

Neymar só estreou no Paulistão em 20 de fevereiro, na nona rodada. Fez 16 partidas pelo Santos, mas, antes, não estava descansando. Na sua estreia, já carregava sete partidas pela seleção no Sul-Americano Sub-20, do qual foi artilheiro com 9 gols. De janeiro a maio, Neymar disputou 23 partidas. "O time que está jogando se repete sempre! O elenco é curto", diz Muricy.

Rotações. O de Alex Ferguson não é. Na quarta, escalou um time com apenas quatro titulares na semifinal da Liga dos Campeões, contra o Schalke. Enfiou 4 x 1. Vai à decisão em Wembley contra o Barcelona, que bateu o Real Madrid em dois jogos. Antes, enfrenta hoje o Chelsea pelo Campeonato Inglês. Se vencer, põe a mão na taça.

O livro Anjos Brancos conta que Roman Abramovich estudou o Real Madrid do presidente Florentino Pérez antes de comprar o Chelsea. Nas primeiras temporadas, gastou 170 milhões de euros anuais em reforços. Na atual, o Real Madrid tem um time de 250 milhões de euros. O Barcelona tem oito titulares formados em casa. O Manchester escalou cinco na quarta-feira.

Abramovich é bom aluno.

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