A decisão pela base

O Barcelona tem nove dos onze titulares formados em suas canteras, como se chama as divisões de base na Espanha. A equipe que venceu o Real Madrid semana passada custou 120 milhões de euros e usou oito canteranos. O Real custou 277 milhões, 176 apenas para comprar os meias Kaká e Cristiano Ronaldo.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2011 | 03h02

O Santos ganhou a Libertadores depois de 48 anos de jejum. Na decisão, um gol marcado por Neymar, formado na Vila, e outro por Danilo, comprado do América-MG com idade de júnior. Se contar Danilo, são quatro os pratas-da-casa santistas na decisão contra o Barça.

O Barcelona contratou Messi quando tinha 13 anos, na Argentina. O Santos segurou Neymar aos 14, quando o Real Madrid já tentava seduzi-lo. O sucesso dos dois finalistas do Mundial de Clubes tem a ver com uma decisão tomada no passado: formar e descobrir jovens jogadores.

Em 1998, uma imagem de Pelé com Robinho serviu de propaganda do que se chamou "Política Pés no Chão". Dois anos depois, Marcelo Teixeira decidiu formar um time adulto, contratou Carlos Germano, Galván, Rincón, Valdo, Caio e Valdir Bigode. Foi vice-campeão paulista. Da fila em que entrou em 1984, o Santos só saiu com Diego e Robinho, formados na Vila. O jejum da Libertadores só terminou com Neymar e Ganso, investimentos do Centro de Treinamento Meninos da Vila, exclusivo dos garotos, na Baixada Santista.

Há dez anos, desde que ganhou sua última Liga dos Campeões, o Real Madrid contrata quem quer, custe o que custar. O Barcelona forma seus times em casa cada vez mais. Em 2006, foi campeão europeu com três canteranos, Victor Valdés, Puyol e Oleguer - Iniesta entrou no segundo tempo.

Em 2009, eram sete. Hoje, devem ser nove.

O Santos não precisa de tantos. Mas deve entender que seu DNA inclui, mais do que atacar, formar seus melhores jogadores dentro de casa. A receita levou o Barcelona três vezes à final do Mundial. Pode ajudar o Santos a chegar lá de novo.

Time adulto. O São Paulo vai anunciar as contratações do volante Fabrício, do Cruzeiro, e do meia Maicon, do Figueirense. Fabrício é o mesmo campeão da Copa do Brasil de 2002 pelo Corinthians, dirigido por Carlos Alberto Parreira.

Maicon jogou no Madureira e Fluminense, mas brilhou mesmo nas duas últimas temporadas. É o homem da cadência do Figueirense, time revelação do Brasileiro. Parece estar no momento certo de que tem fome para se firmar em time grande.

Os reforços não indicam o fim da política de revelações no Morumbi. O meia Lucas, os volantes Casemiro, Wellington e Denílson são os melhores exemplos de que descobrir jovens jogadores ajuda a formar times fortes. Como o Santos, o São Paulo precisa revelar e encontrar a medida entre experiência e juventude.

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