Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

A doce vida do técnico Jorge Sampaoli nas praias de Santos

Quando não está no CT, argentino, já adaptado à cidade, corre para a praia, onde pratica futevôlei e beach tennis

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2019 | 04h30

A campanha perfeita do Santos no início do Campeonato Paulista pode ser vista como um reflexo da adaptação de Jorge Sampaoli à própria cidade. Em pouco mais de um mês, o treinador se tornou figura comum no canal 3, onde joga futevôlei ou beach tennis, e já pensa em trocar o apartamento no hotel Parque Balneário, no Gonzaga, por uma casa alugada em um condomínio de luxo. Morar em São Paulo? Nem pensar. 

A imagem simbólica dessa lua de mel está mesmo na praia. Depois de cumprir um horário de trabalho rigoroso no CT do Santos, que começa às 7h e vai até mais ou menos 17h, o argentino vai curtir o litoral santista. “Ele está fascinado com a praia”, diz um amigo do treinador. 

Durante uma caminhada no final de tarde, o técnico de 58 anos parou para assistir a uma partida de futevôlei, gostou e pediu para jogar. Simples assim. O próprio clube divulgou um vídeo que virou mania nas redes sociais. Habilidoso e serelepe, o argentino mostrou conhecer do riscado. Os toques de peito e até de ombro começaram lá atrás, bem lá atrás mesmo, quando praticava o esporte em um clube de Casilda, cidade onde nasceu e que está a 50 quilômetros de Rosario. 

Hoje, Sampaoli já está no estágio dois de esportes praianos e começou a fazer aulas de beach tennis, modalidade que mistura vôlei de praia, badminton e tênis. “Ele foi muito bem. Para uma primeira aula, mostrou uma noção muito boa. Vir de outros esportes facilita bastante”, avalia o instrutor Alan de Oliveira.

Sampaoli apresenta um estilo que não é muito comum entre os técnicos brasileiros. Ele possui várias tatuagens. E o mais curioso é o que elas retratam: o rock argentino de raiz e o futebol. Ele gosta tanto do verso “não escuto e sigo porque muito do que é proibido me faz feliz”, da banda Los Callejeros, que fez questão de tatuá-lo no braço esquerdo. No antebraço direito estão as frases: “Educar é combater. O silêncio não é meu idioma”. 

Os torcedores santistas estão surpresos com o lado humilde e cordial do treinador. Da mesma forma que pediu para jogar futevôlei, ele não nega um autógrafo. Antes do jogo com o São Bento, atendeu a um pedido de selfie de um soldado da PM. O treinador baixinho e careca sempre cumprimenta as crianças na entrada do time no estádio. 

Até os jogadores têm uma história boa para contar sobre o treinador. Depois de criticar a falta de habilidade com os pés do goleiro Vanderlei, ele pediu desculpas no vestiário. Isso foi decisivo para ganhar o grupo. A figura do treinador ainda causa certo receio: dois jogadores não quiseram falar sobre ele para o Estado. Ele diz “bom dia” para os funcionários do clube, mas fica sempre “na dele”, como descreve um deles. Não é do tipo que se esparrama nas resenhas. 

A proximidade com o técnico que dirigiu Messi na última Copa e fez do Chile campeão da Copa América depois de uma história inteira sem troféus na estante e a campanha perfeita do Santos – quatro vitórias em quatro jogos – resgataram um pouco do orgulho santista. O time não tinha técnico (Cuca saiu para cuidar de problemas cardíacos) e o craque do time, Gabigol, foi para o Flamengo.

Esse cenário de sonhos, no entanto, é volátil. É uma foto do momento. Apesar da boa fase, o treinador continua pedindo reforços. Está incomodado. Não é de estranhar que surja novo atrito com o presidente Peres, que ainda não trouxe o lateral, o ponta e o atacante que ele vem pedindo. 

Não dá para esquecer também que a participação da Argentina de Sampaoli na Copa da Rússia foi bastante irregular. O time se classificou em segundo em um grupo que tinha Croácia, Nigéria e Islândia. Os argentinos – torcedores, jogadores e imprensa – não querem vê-lo por lá tão cedo. 

Sampaoli não passa todo o tempo livre na praia. Quando está sozinho no hotel – sua noiva está no Chile –, ele mergulha nos seriados. Agora, ele está percorrendo os oito episódios de Trotski, série crítica sobre um dos líderes da Revolução Russa de 1917. Quando liga o som – ele prefere os CDs e até os discos de vinil aos celulares –, um verso se repete: “Não se vive celebrando as vitórias e sim superando derrotas”. 

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