A dois anos dos Jogos, Rio-2016 tem apenas 24% das obras prontas

Reforma de 15 locais de competição não foram iniciadas ou estão em estágio inicial; Complexo de Deodoro é o que mais preocupa

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2014 | 05h00

A exatos dois anos do início dos Jogos Olímpicos do Rio, representantes dos três níveis de governo (federal, estadual e municipal) e a diretoria do Comitê Rio 2016 abriram a contagem regressiva. A execução das obras alcançou apenas 24% do total. Ao menos 15 obras e reformas de locais que receberão competições não foram iniciadas ou estão em estágio inicial.

Após emitir duros recados a respeito dos atrasos, o Comitê Olímpico Internacional se posiciona de forma mais amena. O diretor executivo para os Jogos do COI, Gilbert Felli, escalado em abril para atuar como uma espécie de interventor após seguidas reclamações sobre atrasos, procurou demonstrar tranquilidade em relação à preparação do Rio.“Estou confiante que sim, que vai dar certo e tudo ficará pronto”, disse Felli, que classificou as cobranças como “um momento de trauma”.

Na semana passada, a Autoridade Pública Olímpica (APO), órgão que concentra os esforços do governo para a Rio-2016, divulgou uma atualização da Matriz de Responsabilidades da Olimpíada. 

O documento, que compila informações sobre os investimentos essenciais para os Jogos, apontou que, em julho, menos de 30% das obras está pronta, em obras ou em licitação.

O Complexo de Deodoro é o que mais preocupa. O processo licitatório foi iniciado em abril, mas os contratos com as empreiteiras foram assinados há apenas duas semanas.

O secretário executivo do ministério do Esporte, Luis Fernandes, disse que está tranquilo em relação às cobranças. Ele foi um dos principais interlocutores do Governo Federal durante a preparação do Brasil para a Copa, e disse que manteve a calma porque “acompanhava de perto e via que o trabalho estava sendo feito”. Ele reconheceu que o trabalho em relação à Olimpíada será intenso.

“São desafios com complexidades particulares e distintas. O principal desafio da Copa era a coordenação interfederativa foram 12 sedes), mas era uma única modalidade”, lembrou. “Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos estão concentrados no Rio, mas em compensação temos que negociar com dezenas de federações esportivas.”

Coube ao prefeito do Rio, Eduardo Paes, o discurso mais otimista. Ele defendeu os investimentos na cidade e destacou que mais da metade dos gastos são provenientes de parcerias com o setor privado. “Serão os Jogos da economia de recursos públicos, sem elefantes brancos e com cronograma em dia”, garantiu Paes.

Até o momento, o custo estimado para a organização dos Jogos é de R$ 37,6 bilhões. A maior parte do valor, R$ 24,1 bilhões, diz respeito às obras de infraestrutura. Outros R$ 6,5 bilhões estão orçados para a construção de equipamentos olímpicos. Ainda nesse montante estão os R$ 7 bilhões previstos no orçamento do Comitê Rio.

A entidade informou ter arrecadado R$ 2,4 bilhões em patrocínios. Pelo planejamento, esse valor precisará chegar a R$ 3,5 bilhões, sendo o restante oriundo do COI, venda de ingressos, licenciamentos e patrocinadores internacionais. O custo final dos Jogos Olímpicos de 2016, porém, ainda vai demorar para ser conhecido. Na mais recente versão da Matriz de Responsabilidades, são informados os custos de 37 de 52 obras. A conta só será conhecida depois que todas elas estiverem licitadas.

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