A emotiva Jade recupera o sorriso

A adolescente Jade Barbosa é a nova estrela da ginástica artística do País. Aos 16 anos, encanta torcida e árbitros com sua técnica, força e graciosidade. Também rouba a cena pela sensibilidade, tem fama de chorona, mas garante ser feliz no esporte.Tudo em sua vida foi precoce. Aos cinco, começou a praticar ginástica por curiosidade. Passou pelas categorias de base do Flamengo e, aos 13, já exibia o duplo twist carpado, movimento batizado pela estrela Daiane dos Santos no Código Internacional de Ginástica.Antes de despontar pelo mundo afora, a garota carioca sofreu um baque com a morte da mãe, Janaína. Ela tinha apenas nove anos. Depois disso, foi ainda mais difícil se desgarrar do pai, César, com quem anda para cima e para baixo no Pan do Rio. Saiu de casa aos 13 para treinar no Centro de Treinamento da equipe brasileira de ginástica, em Curitiba.No início, estranhou o frio paranaense. Mal agüentava de saudade do pai e do irmão mais novo, Pedro, de 10 anos. Depois da morte da mãe, Jade se sentiu na obrigação de cuidar do irmão. Falava com a família pelo celular de sete a oito vezes por dia. ''''O mais difícil desde o começo tem sido a saudade.''''Preocupado com o emocional da filha, o pai foi a Curitiba. Temia ainda que ela não levasse a sério os estudos. Mas viu que a Confederação Brasileira de Ginástica não dava moleza, fiscalizando as garotas, que estudam com auxílio de apostilas no intervalo dos treinos.Aos poucos, Jade foi administrando as emoções. E parece estar aprendendo a lidar com a perda da mãe. Quando deixou a prova das barras paralelas assimétricas, na segunda-feira, aos prantos após uma queda e distante da sonhada medalha, afirmou: ''''Não pensei nisso (na mãe). Pensei agora porque você falou'''', respondeu a um repórter, com a voz embargada.Também é muito apegada ao avô materno, Wilson, que mora nos Estados Unidos e veio para ver a neta. Na disputa por equipes, sábado, quando Jade ganhou seu primeiro ouro, ele estava na arquibancada e não se sentiu bem, já que é cardíaco. Preferiu não assistir à final do individual geral.O pai da garota também tem um papel especial na carreira da filha. É ele quem desenha os colants dela e de toda a equipe brasileira. Foi contratado pela Olimpikus, patrocinadora oficial do Pan. Arquiteto de formação, desde a época do Flamengo César participa da criação das roupas de competição.A atleta também teve ajuda do ex-jogador de basquete Amaury Pasos, bicampeão mundial e dois bronzes olímpicos, para impulsionar a carreira. Em 2004, foi ao Pan-Americano Juvenil de El Salvador bancada por ele. Na época, o Flamengo não tinha recursos e a Confederação de Ginástica havia investido R$ 1,4 milhão da lei Agnelo/Piva na equipe que foi à Olimpíada de Atenas, esquecendo do torneio juvenil. Seu maior sonho é seguir os passos de Daiane dos Santos e companhia. ''''Quero representar o País na Olimpíada de Pequim.'''' Está no caminho certo.

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