A escuridão assusta

Poluição não cede e Jogos serão realizados sob forte névoa

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

25 de abril de 2008 | 00h00

Mesmo quando o céu está azul, a maioria dos dias de Pequim é envolta em uma leve névoa, como se houvesse uma camada de tule entre o olhar e o horizonte. Fruto da atividade de centenas de fábricas, 3,3 milhões de carros e milhares de construções, essa névoa é a poluição que constrange os anfitriões da Olimpíada com ameaças de cancelamento de competições e a possibilidade de cenas bizarras de atletas correndo com máscaras. Na semana passada, competidores da marcha e da maratona reclamaram da qualidade do ar.O governo chinês afirma que nenhuma decisão drástica precisará ser tomada e que o ar na cidade estará limpo em agosto. Para isso, anunciou uma série de medidas que serão implementadas a partir do dia 20 de julho, entre as quais estão a interrupção de todas as obras de construção em andamento, a suspensão de atividades de algumas indústrias e a redução de emissões em 30% para outras 19 empresas consideradas "altamente poluentes". As medidas ficarão em vigor durante dois meses, período que envolve a Olimpíada e a Paraolimpíada. Também será adotado esquema de rodízio de placas pares e ímpares, que vai tirar das ruas metade dos carros particulares a cada dia. Até o início dos Jogos, no dia 8 de agosto, Pequim terá duplicado a extensão de seu metrô para 200 quilômetros, e há uma forte campanha para que a população utilize o transporte público. Em 2007, a tarifa do metrô passou de 3 para 2 yuans, o equivalente a R$ 0,50, e há descontos adicionais para quem andar de metrô e ônibus. Mas a ampliação da oferta e a redução do preço do transporte público não evitam a ampliação da frota de carros na cidade, que cresce a uma média de mil novas unidades por dia.As autoridades de Pequim afirmam que foram investidos US$ 17 bilhões desde 1998 em um programa de melhoria da qualidade do ar da cidade, implementado em 14 fases. Segundo a prefeitura da capital, 200 empresas poluentes foram fechadas no período. Quando o projeto começou, há dez anos, Pequim registrou 100 dias de "céu azul" - aqueles nos quais a qualidade do ar é boa. No ano passado, o índice foi de 246 dias e para 2008 a previsão é de que haja 250 dias. M

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