A ética do 'on' e a sinceridade do 'off'

Uma das intenções deste espaço é contar algumas curiosidades daquilo que as pessoas chamam de "bastidores" do futebol. Ou seja, histórias interessantes que não necessariamente se transformam em reportagens, uma vez que estão fora do alcance dos microfones e holofotes. Sendo assim, lembro de algumas conversas que mantive nos últimos dias com dirigentes, treinadores e até mesmo alguns jogadores. O que mais tem chamado minha atenção nesses contatos é a facilidade com que as pessoas ajustam seu discurso de acordo com a conveniência do momento. Explico.

Wagner Vilaron, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Tudo começa da seguinte maneira. O papo caminha naturalmente, com trocas de ideia e opiniões sobre diversos assuntos. Lá pelas tantas, o momento do Campeonato Brasileiro nos remete à tal polêmica da ética. Nesse instante, não tem erro, o interlocutor para e faz uma dessas perguntas: "é em "on" ou em "off"?" ou "isso é uma entrevista ou um bate-papo?"

Dali para frente, o discurso depende de minha resposta. Se digo que é "on", portanto aquilo pode ser publicado como entrevista, a maioria adota o tradicional "somos profissionais. Essa história de entregar o jogo para prejudicar o rival é conversa de torcedor. Quando a bola rola, o time só pensa em vencer". No entanto, se a resposta é "off", o que significa que é um papo, não uma entrevista, o sujeito sorri e diz "eu quero é que eles (rivais) se explodam". Evidentemente o verbo explodir é um eufemismo para aquele, de fato, utilizado.

Não tenho dúvida de que, no duelo "ética x rivalidade", a primeira apanha de goleada. Acontece que as pessoas se sentem intimidadas em admitir isso publicamente, pois sabem que tal comportamento as rotularia como antiéticas em qualquer outro segmento da sociedade. Confesso não compartilhar desse pensamento, pois entendo que a paixão e o aspecto lúdico do futebol justificam algumas reações que são exclusivas desse universo (qual frequentador de estádios nunca se assustou com a reação destemperada de um amigo que considerava uma pessoa extremamente tranquila em seu dia a dia?). Em outras palavras, discordo daqueles que defendem que seu time, quando não tem ambições na competição, entregue o jogo para prejudicar um rival, mas não o considero um antiético em essência por causa disso. Afinal, como tantos costumam dizer, não devemos levar o futebol tão a sério.

Tudo isso me leva a acreditar que a discussão sobre ética no futebol é um daqueles temas que, embora sejam considerados chatos por muita gente, estarão sempre no centro dos debates, sobretudo em momentos decisivos. A única solução para isso, talvez, esteja no dia em que a espécie humana deixe de ser um projeto em fase de aperfeiçoamento. Pois é, parece que ainda está longe.

Corinthians. É fato. O zagueiro Miranda, um dos destaques do São Paulo, interessa ao clube do Parque São Jorge. O jogador é visto como a opção ideal para a vaga de William, que já falou sobre seu desejo de encerrar a carreira no final da temporada. Até mesmo Chicão, que na temporada passada foi sondado pelo futebol português, vive a expectativa de receber novo contato. Enquanto isso, o presidente do clube, Andrés Sanchez, participa de reuniões com representantes da Conmebol. O corintiano quer garantir quotas maiores para a transmissão de jogos do Alvinegro.

Palmeiras. Salvador Hugo Palaia já comentou nos quatro cantos do Palestra Itália que conta com o apoio do presidente Luiz Gonzaga Belluzzo na eleição de janeiro. Argumenta que se trata de acordo feito há dois anos, quando Belluzzo era o candidato. Palaia, no entanto, só admite mudar de ideia caso o atual presidente decida concorrer à reeleição. Para muitos, a decisão passa pelo resultado do time na Sul-Americana.

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