Imagem Antero Greco
Colunista
Antero Greco
Conteúdo Exclusivo para Assinante

A farra de Neymar

A conversa de que Brasil e Portugal são unidos por inquebrantáveis laços de amizade, cortesia, cultura, língua e outros salamaleques valeu, pelo menos no futebol, até o apito inicial do jogo que as seleções dos dois países fizeram ontem à noite, em Boston. Com a bola a rolar, o clima esquentou, a adrenalina subiu, e em vários momentos, sobretudo do primeiro tempo, a pauleira cantou dos dois lados.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 02h09

Pior para os portugueses. A partir das costumeiras gentilezas de Pepe, o zagueiro que não perde a viagem - ou acerta a bola ou o adversário -, o alvo preferido foi Neymar. O moço apanhou de tudo quanto foi jeito, levou até cotovelada criminosa no rosto dada pelo capitão Bruno Alves e tentativa de rasteira de Fábio Coentrão.

A violência mexeu com os brios do rapaz, que desandou a correr, a movimentar-se, a driblar. Enfim, a infernizar os patrícios. Quanto mais era provocado, tanto melhor se saía. Comportou-se como se espera de quem é visto como líder e referência da seleção. Dele saíram os melhores lances na etapa inicial e o gol da virada, numa arrancada espetacular. Antes, Thiago Silva havia empatado em cabeçada de escanteio cobrado por... Neymar.

O ídolo que diziam sobressair só diante de rivais de segunda linha no futebol paulista continuou a ditar o ritmo brasileiro no segundo tempo, chamou a responsabilidade, iniciou a jogada do terceiro gol (mais um de Jô) e se arriscou a tirar portugueses para dançar e amainou o ambiente pesado. Provou que a camisa 10 lhe fez bem. (Mea culpa: na época em que abandonou a 11 na amarelinha, achei que era responsabilidade demais jogada em cima dele.)

Portugal foi bom teste pro Brasil, que revelou capacidade para despertar, se for cutucado. Sobretudo Neymar.

VOLTA AO LAR

Há treinadores que têm imagem atrelada a determinados clubes - em geral, por títulos e identificação com a torcida. Em algumas ocasiões tentam desvincular-se, mas não conseguem. Rodam o mundo, giram aqui e ali, colecionam vitórias e frustrações, até retomar as origens e voltar à casa em que se sentem mais à vontade, na qual entram sem cerimônia.

É o caso de Muricy Ramalho. Cria do São Paulo, como jogador e técnico, jamais escondeu que vê o Morumbi como lugar acolhedor, que faz parte da vida. A afinidade é tamanha que não saiu da região - criado na Vila Sônia, há muito tem apartamento perto do estádio. Pode ir a pé ao trabalho.

Depois de pausa de pouco mais de quatro anos, retomou ontem a velha rotina de chefe tricolor. Com um abacaxi extraordinário pela frente, talvez o mais espinhoso da carreira: livrar o time do rebaixamento e evitar vexame histórico. Agora, mais do que nunca, entrará em ação o bordão que usa como mantra para explicar a razão do sucesso. "Aqui é trabalho, meu filho!" E labuta não faltará para sair da zona da degola. O São Paulo fez campanha péssima no primeiro turno, com 9 derrotas, 6 empates, 4 derrotas.

A diretoria não teve paciência com Paulo Autuori, e os números não ajudaram. Difícil defender a permanência de um professor badalado, mas que colecionou em dois meses 10 derrotas, 4 empates e 3 vitórias.

Falou-se que a cartolagem do São Paulo agiu com rapidez ao optar pela troca. Não vejo assim. O clube, na prática, demorou dois meses para buscar alternativa para a reviravolta. Na época em que Ney Franco foi demitido, Muricy já estava no mercado. Por picuinhas internas, a preferência recaiu sobre Paulo Autuori.

A hora no São Paulo é de união. E, claro, de jogar bola. Porque não adianta nada ter um técnico carismático, muito rapapé e coisa e tal, se os resultados não aparecerem.

BEM-VINDOS À COPA

Itália e Holanda garantiram vaga para o Mundial no Brasil. Excelente notícia. A competição mais importante do futebol só fica brilhante com a presença de seleções de ponta. A Azzurra forma, ao lado de Brasil, Argentina e Alemanha, o quarteto de gigantes da bola. E os italianos vão dar trabalho...

Tudo o que sabemos sobre:
Antero Greco

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.