A Ferrari no caminho da vela brasileira

Comitê Italiano e equipe de F-1 anunciam parceria

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 00h00

Poderosa na Fórmula 1, a Ferrari pode atrapalhar os planos da vela brasileira de conquistar medalhas em Pequim. O Comitê Olímpico Nacional Italiano (Coni) anunciou anteontem parceria com a escuderia para desenvolvimento de equipamentos esportivos para a Olimpíada, em agosto, e os Jogos de Inverno de Vancouver, em 2010. Entre os esportes de verão beneficiados estão a vela e a canoagem. Nos de inverno estão bobsled, luge, skeleton, patinação e esqui paraolímpico.A notícia é particularmente ruim para Robert Scheidt e Bruno Prada, a dupla brasileira da classe Laser em Pequim. Isso porque, com o acordo, os velejadores italianos poderão contar com o auxílio da tecnologia da Ferrari, para desenvolvimento de materiais mais aerodinâmicos. Terão à disposição, até mesmo, os túneis de vento da escuderia para testar os equipamentos que vão levar à Olimpíada. E um dos prováveis rivais da dupla brasileira na China é o italiano Diego Negri, atual terceiro colocado no ranking mundial - Scheidt é o sexto. "Se não for simplesmente uma jogada de marketing, já que falta pouco tempo para a Olimpíada, a parceria pode beneficiar os italianos nas classes Tornado, Finn e Star", avalia o velejador Lars Grael. Segundo o brasileiro, detentor de duas medalhas de bronze olímpicas na classe Tornado e atualmente na Star, nas condições das raias de Qingdao (local das provas de vela da Olimpíada) pequenas melhorias tecnológicas podem fazer a diferença. "No caso da Star, por exemplo, se eles conseguirem criar embarcações mais leves na extremidade e mais pesadas no centro de gravidade poderão ter vantagem nas situações de pouco vento esperadas em Qingdao", explica Lars. "Fora isso, os italianos estão entre os melhores do mundo na construção de barcos da Star, se bem que nós contamos com barcos de ponta feitos lá, como os do Torben (Grael) e do Scheidt."VELOCIDADE"Em Pequim queremos ser rápidos como a Ferrari", disse o presidente do Coni, Giovanni Petrucci, na apresentação da parceria. Segundo o presidente da escuderia de Maranello, Luca di Montezemolo, existem três coisas em comum entre a Ferrari a delegação da Itália na Olimpíada. "Paixão, capacidade de trabalhar em equipe e a bandeira italiana." O dirigente ferrarista espera poder contribuir de forma efetiva para a história olímpica de seu país. "Se puder haver uma milésima parte da Ferrari nos triunfos italianos, nos sentiremos honrados."COM AGÊNCIAS

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