A festa foi completa no Morumbi

Vitória com recorde de público na estreia de Ganso garantiu a classificação para a Libertadores

GONÇALO JUNIOR, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2012 | 02h05

Em sua estreia, Paulo Henrique Ganso mostrou que vai poder personificar o apelido de Maestro. Mas o solista principal continua sendo Luis Fabiano. O atacante fez um gol e ainda sofreu o pênalti convertido por Rogério Ceni que garantiu a virada sobre o Náutico por 2 a 1 no Morumbi.

Com o resultado, a equipe paulista confirmou matematicamente a classificação para a Libertadores de 2013 já que o Botafogo perdeu para o Sport por 2 a 0, na Ilha do Retiro.

Outro marco da tarde de gala: a equipe quebrou seu próprio recorde de público no Campeonato Brasileiro. A marca de 62.207 de ontem pulverizou os 54.118 pagantes da partida contra o Fluminense.

A entrada de Ganso, aos 11 minutos do segundo tempo, foi celebrada como se fosse um gol. Mais do que isso. O jogo foi dividido em dois tempos: antes e depois da entrada do novo camisa 8, que precisou colocar a mão na massa para construir o resultado - ele entrou quando o jogo estava 1 a 1. E o fez com o talento de um chef.

Para os 62 mil torcedores que foram ao Morumbi, Ganso tem potencial para alinhavar três pontas da história são-paulina. Pela elegância do jogo de cabeça erguida, pode continuar a linhagem de Pedro Rocha e Raí. Seu primeiro toque, aos 12, foi um bom exemplo: uma clareada para Lucas em um contra-ataque.

O meia mostrou que vai equilibrar o meio, tirando o peso da armação dos ombros de Jadson - foi ele quem saiu para a entrada de Ganso. Aos 32, ele tentou armar outro contragolpe, mas foi seguro pelo zagueiro Jean Rolt, que levou amarelo. Além disso, acertou dois ou três passes fáceis, correu, pediu a bola e foi participativo. Continua tocando de primeira e parece totalmente recuperado da lesão na coxa esquerda.

Aí, a aposta no futuro. Ganso pode fazer Osvaldo correr e será um garçom para Luis Fabiano. Por isso, Ney Franco já tinha a escalação definida assim que o meia foi contratado. Todas as bolas vão passar por ele, como ensaiou o time ontem.

No final da partida, respirava de boca aberta, confessando a falta de ritmo - sua última partida havia sido dia 29 de agosto, quando foi chamado de "mercenário" pelos santistas - mas mostrou um sorriso de satisfação. De dever cumprido.

Até chegar a esse momento, os são-paulinos sofreram. Mais de tédio do que de medo. A primeira parte do jogo, antes de Ganso, foi uma longa e ansiosa espera. A torcida permaneceu quieta, olhando para o lado, como se assistisse a uma preliminar.

Lado errado. Foram protagonistas dessa fase Lucas e Osvaldo. O primeiro acrescentou novos artifícios à sua jogada característica - as arrancadas - e arriscou três finalizações. Elas, no entanto, valeram mais pela iniciativa do que pela efetividade.

Osvaldo dissolvia lentamente a proteção de Alemão pela esquerda e conseguiu arrancar os esparsos aplausos do primeiro tempo. O São Paulo deveria ter insistido mais por ali com trocas rápidas de passe entre Cortez e Jadson. Perdeu tempo e energia insistindo pelo centro, entupido de gente. Foi esse o único mérito do rival na partida: criar um cinturão de zagueiros só para destruir. Atacar, só raramente.

Ney Franco havia planejado construir uma boa vantagem e escalar Ganso com um clima favorável, de festa mesmo. Não deu. Souza fez Rogério experimentar seu próprio veneno aos três minutos do segundo tempo e cobrou uma falta com perfeição no canto do goleiro fazendo um improvável 1 a 0. Nesse momento, Ney Franco decidiu antecipar em dez minutos a entrada de Ganso.

Mas não houve tempo para desespero ou para pessimismo. Seis minutos depois, Osvaldo costurou pela esquerda e cruzou de bandeja para Luis Fabiano empatar, de cabeça. Foi seu 17.º tento no Campeonato Brasileiro.

Apesar de ter encontrado o caminho correto - os lados do campo e não o meio -, faltava o último passe. Na falta dele, Luis Fabiano usou a experiência para conseguir um pênalti cometido pelo zagueiro Alemão. Rogério Ceni bateu, fez seu 107.º gol na carreira e definiu a virada.

Ganso ainda é um querer, uma promessa, mas seus primeiros 90 minutos mostraram que, além da chuteira, pode levar uma batuta para o Morumbi.

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