A festa que vale

Meu amigo, o bom da vida é que ela sempre nos surpreende. Imaginamos que, à medida que acumulamos recordações de Natais e Páscoas muito antigos, diminui a chance de vermos novidades. Parece que, a partir de determinado momento, tudo será pasmaceira. Engano seu, caríssimo companheiro das crônicas dominicais. A aventura terrestre nos reserva incontáveis sobressaltos. Vira e mexe topamos com algo inédito ou, no mínimo, insólito. Ainda bem.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2012 | 02h05

Note que singela esta, recém-saída dos bastidores. A CBF admitiu ceder ao Fluminense, por empréstimo, a taça destinada ao campeão nacional. Como você sabe, o tricolor carioca sagrou-se campeão brasileiro uma semana atrás, com os 3 a 2 no clássico com o Palmeiras. A conquista ocorreu em Presidente Prudente, bela e calorenta cidade do interior paulista. Como o mando era palestrino, foram poucos os seguidores de Fred & Cia que puderam ir ao estádio.

A festa do tetra ficou, portanto, para hoje, no Engenhão, local em que o Flu recebe o Cruzeiro, no embalo das comemorações. Previsão de casa lotada, como raras vezes ocorreu desde a abertura do Pan-americano de 2007. Pois bem. A entidade que administra o futebol doméstico, num rasgo de generosidade, concordou em liberar o troféu, para que os jogadores possam dar volta olímpica e compartilhar a euforia com o público.(Também há promessa de distribuição de medalhas.) Em seguida, há ordem de que seja recolhido em lugar seguro, de onde sairá no dia 3 de dezembro.

Nessa data, uma segunda-feira - dentro de duas semanas portanto -, o mimo será oficialmente repassado aos vencedores da Série A de 2012. Porque, afinal, de contas, é a ocasião prevista para a solenidade de encerramento, está no calendário da CBF. Reza o protocolo que, com pompa e circunstância, serão premiados os melhores da temporada, num festão de gala, em teatro, etc e tal. O fecho de ouro da reunião, o ápice da noite, é a entrega da taça. Cai o pano.

Lamento recordar-lhes, prezados cartolas que nos guiam, mas a festa qu conta é hoje. O Flu campeão será consagrado por seus admiradores no gramado do Engenhão, com os jogadores paramentados como se deve: com camisa, calção, meias e chuteiras. De preferência, suados, sujos, cabelos escorridos. Todo mundo feliz da vida pela proeza. Não é sempre que se ganha, por aqui, campeonato com três rodadas de antecedência.

Assim se legitima a hegemonia de uma equipe - na arena em que se deu a vitória e ao lado dos fãs. Paletó e gravata só nos primórdios do esporte bretão, época em que os próprios ingleses pisavam no gramado dessa forma. Prática abandonada há uns 140 anos. Coisa chocha essa de outorgar a taça em ambiente fechado e formal! Parei.

Por falar em casa cheia e expectativa, o Morumbi deve receber mais de 50 mil pessoas para acompanharem a estreia de Paulo Henrique Ganso. O meia atuará por alguns minutos, no jogo com o Náutico, está fora de ritmo, e ainda assim consegue arrastar multidão para o estádio. Isso mostra que torcedor responde aos estímulos positivos. Basta dar-lhes motivos, que eles marcam presença.

Quarteto em apuros. A antepenúltima rodada ativará a adrenalina de quatro torcidas: a do Palmeiras, com coração na mão e pouca esperança, seguirá o jogo com o Fla. Já as de Lusa (recebe o Grêmio), Sport (joga em casa com o Bota) e Bahia (hospeda a Ponte) podem terminar o domingo aliviadas (ou quase), se eles vencerem. A briga contra o descenso promete.

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