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A final merecida

As duas defesas de Fernando Prass nos pênaltis criaram um herói para o Dérbi, mas não explicam o que foi o jogo nem a evolução do Palmeiras em 2015. A vitória da marca dos 11 metros traz a paz necessária para Oswaldo de Oliveira continuar trabalhando pela construção do jogo coletivo, fundamental para o futuro da equipe.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2015 | 02h02

A derrota criaria algumas dúvidas, as mesmas que muitos poderão despejar agora sobre a equipe de Tite depois de uma desclassificação em casa. Corinthians e Palmeiras fizeram uma ótima partida no deserto em que se transformou o Paulistinha. E isso precisa ser valorizado.

Com Danilo e Bruno Henrique nas vagas de Renato Augusto e Elias, a escalação corintiana não mudou apenas nomes, mas transformou a maneira de jogar da equipe, que vai além da configuração tática do 4-1-4-1 habitual para o 4-2-3-1, menos importante no clássico do que a condição física do grupo e as características dos substitutos.

Oswaldo perdeu Zé Roberto e seus zagueiros titulares, mas conseguiu levar a campo uma formação que tem tudo para se desenvolver e brilhar, principalmente no setor de meio-campo, com Valdívia, Arouca e Robinho bem próximos para desenvolver o jogo com passes, triangulações e infiltrações.

Rafael Marques e Dudu sustentam o formato pelo posicionamento, pela velocidade e por cumprirem taticamente um papel que o chileno não encara, a marcação na transição defensiva na hora de proteger o gol de Fernando Prass.

Com a saída de bola corintiana comprometida pelas ausências de Elias e de Renato Augusto, ambos no banco no primeiro tempo, Valdívia buscou espaços nas costas dos volantes. Não foi brilhante, natural depois de tanto tempo parado.

É o começo de um modelo que pode receber Cleiton Xavier, ainda uma novidade na 18ª partida do time na temporada, mas importantíssimo no segundo tempo, quando Oswaldo foi para o tudo ou nada.

Uma diferença importante entre Palmeiras e Corinthians está nos princípios de jogo, que podem ser identificados pela compactação da equipe e pela maneira como a marcação é exercida, entre tantos outros ingredientes que só podem ser adquiridos com tempo.

O mundo não caiu para Tite. O treinador vai ganhar um tempinho extra para descansar e trabalhar o time, mesmo acontecendo da pior maneira possível, com a desclassificação para o rival. Seria uma tragédia se fosse o contrário, decidir o Paulistinha e ser eliminado da Libertadores na fase de grupos para o São Paulo.

A final ficou justa. Santos e Palmeiras farão um duelo imprevisível. E ao mesmo tempo curioso, porque terminaram 2014 inferiorizados em relação a corintianos e são-paulinos.

A força da grana. A CBF arrecadou R$ 519 milhões em 2014. Jamais algum clube brasileiro chegou perto disso, apesar de alguns possuírem marca suficientemente poderosa para superar esse número. Desde que compreendam suas grandezas e se libertem das amarras do atraso.

O sistema, porém, não facilita. A independência econômica dos clubes não convém aos donos do futebol. Se dinheiro é poder, então o melhor negócio é deixá-los pobres para alimentá-los com as migalhas dos Estaduais, desnecessários para os grandes, insuficientes para os pequenos.

A atual geração de cartolas é uma das piores da história do País, não sabe a diferença entre o que é inconstitucional e opcional. Salvo raríssimas exceções, considera normal jogar para públicos de duas ou três mil testemunhas.

É nesse contexto que devemos entender o Estadual. Mesmo horroroso, o Paulistinha foi importante para o Palmeiras, serviu para iniciar a revolução dentro e fora do campo, trouxe a confiança do torcedor de volta, fez explodir o programa de sócios. Agora só falta o título, se o Santos permitir.

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