A fonte de novos talentos está de volta

São Bernardo realiza, nos dias 24 e 25, nova edição da peneira que se tornou tradicional nos tempos do Banespa

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2011 | 00h00

A espera durou pouco mais de um ano, mas uma das mais tradicionais peneiras do vôlei brasileiro está de volta. Nos dias 24 e 25, a partir das 8h30, o ginásio Adib Moisés Dib, em São Bernardo do Campo, estará aberto para receber garotos de 14 a 18 anos que queiram buscar um lugar no infantil e infanto-juvenil do São Bernardo/BMG, equipe que tem a missão de continuar a tradição do antigo Banespa.

É verdade que o nome mudou, a cidade também. A peneira do Banespa, que durou mais de duas décadas, era realizada em São Paulo e tinha o apoio do banco estatal paulista. No início dos anos 2000, veio a privatização e o Santander assumiu a equipe, que se mudou para São Bernardo. O patrocínio dos espanhóis não foi renovado na metade de 2010 e o time só não acabou porque recebeu suporte da prefeitura de São Bernardo. Mas, prevendo o pior, a direção já havia cancelado a tradicional seletiva que ocorreria no fim de 2009.

Ficaram, porém, alguns personagens que ajudaram a selecionar e revelar para o vôlei brasileiro nomes como Gustavo, Murilo, Ricardinho, Rodrigão, Giovane e Marcelo Negrão. São pessoas como Rubinho, técnico da equipe adulta do São Bernardo; seu auxiliar Alexandre Stanzioni, que começou no Banespa em 1996; e o preparador físico Marcelo Zangrande, que coordenou a última peneira, em 2008.

"Ainda não conseguimos retomar a estrutura de antes, mas a vivência é muito importante. É a retomada, uma primeira peneira que pode até ser mais humilde, mas tem alicerces muito profundos", explica Marcelo, com o olhar treinado em pelo menos uma década de peneiras. "Aqui há mão de obra que formou muitos profissionais. É o que nos dá a garantia de fazer a coisa certa."

Regionalização. De acordo com Rubinho, que coordenará a base, serão selecionados 28 garotos. A inscrição é feita na hora e todos devem levar material completo de treino. A ideia é regionalizar a seleção. "Nós ainda não contamos com alojamento, por exemplo, mas vamos estudar todos os casos." Já o secretário municipal de esportes, José Luiz Ferrarezi, garante que a procedência não será fator limitante. "Nós não vamos vetar a participação de quem não é da região. O garoto vai fazer a peneira e, se for bom, não vai ser dispensado."

O cuidado procede. Nas antigas peneiras do Banespa, jovens de todos os cantos do País viajavam até São Paulo com o sonho de se tornar jogador de vôlei. "A gente brincava que era mais difícil entrar no clube do que entrar na faculdade de medicina", recorda Zangrande. Na última seleção, inscreveram-se cerca de 500 jovens. "Mas já chegamos a ter 1.500 candidatos para 14 vagas."

Animados, os dirigentes e técnicos da equipe do ABC já pensam nos próximos passos. Buscam mais parceiros, porque pretendem montar equipes de todas idades, do mirim ao juvenil. "É a existência das categorias de base que justifica a manutenção das equipes de alto rendimento", afirma Ferrarezi.

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