A fúria embala

Espanha derrota Portugal por 1 a 0, enfrenta Paraguai nas quartas de final e vê chance de chegar pela 1ª vez à semifinal

Daniel Akstein Batista, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

CIDADE DO CABO

A Espanha quer acabar de uma vez por todas com essa história de ser um time "amarelão". Quando entrar em campo no sábado, às 15h30, contra o Paraguai, em Johannesburgo, lutará por algo que nunca conseguiu em um Mundial: chegar à semifinal. A sofrida, mas merecida vitória sobre Portugal, ontem, por 1 a 0, na Cidade do Cabo, mostrou que a Fúria pode não ter aquele futebol vistoso e empolgante que muitos imaginavam, mas o que não falta é garra e vibração.

E a classificação surgiu com mais um lance que entrou para a galeria das polêmicas desta Copa do Mundo. David Villa estava em posição duvidosa ao marcar o gol que determinou o placar de 1 a 0. Aos 18 minutos do segundo tempo, o atacante recebeu na área e chutou duas vezes antes de balançar as redes. Na hora, nenhum português reclamou, mas algumas imagens de televisão mostraram o espanhol um pouco à frente dos adversários, em impedimento.

Com a vitória, a Espanha busca fazer história. A melhor campanha até aqui foi em 1950, quando ficou na quarta colocação ? quatro times disputaram um turno final e Suécia e Brasil passaram para a decisão. Na África do Sul, o time já igualou o feito de 2002, porém, não pretende estacionar na mesma fase.

A classificação ontem só não teve tanto sofrimento quanto a do Paraguai, que precisou da decisão por pênaltis para passar pelo Japão em Pretória, após o empate por 0 a 0 em 120 minutos de bola rolando. Em campo, os espanhóis apostaram no toque de bola desde o início.

Só promessa. Portugal não fez nada daquilo que Carlos Queiroz havia dito no dia anterior. "Temos de atacar, ter agressividade, antever as jogadas", comentou anteontem. Ataque? Ofensividade? Nada disso. A prática se mostrou diferente da teoria, apesar dos três atacantes no gramado.

Quando a Espanha partia para cima, os 11 jogadores portugueses recuavam, e não ficava ninguém na outra metade do campo. Assim, até os contra-ataques eram difíceis de serem criados. Em um deles, o único, já no fim da primeira etapa, o goleiro Casillas chegou antes de Simão para mandar a bola para a lateral.

Em um jogo de muitos erros e bastante marcação, o goleiro Eduardo, de Portugal, foi um dos poucos atletas a se destacar. Se tivesse contado com mais apoio de sua defesa, teria chegado a outra partida sem levar gols. Esteve seguro e não deixou a bola passar em chutes de Villa, Torres e na cabeçada de Llorente.

Mas quando Villa apareceu livre à sua frente, aos 18 do tempo final, Eduardo defendeu o primeiro chute do atacante. Só não conseguiu fazer o segundo milagre. Enquanto os espanhóis comemoraram, Eduardo cobrou toda a defesa pela desatenção que custou caro à equipe. Na hora, ninguém se importou com o bandeirinha. Era, afinal, impossível perceber a posição de impedimento do atacante espanhol.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.