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'A gente precisa mudar o modelo de gestão', afirma Gustavo Borges

Dono de quatro medalhas olímpicas, nadador está incomodado com a situação do esporte no Brasil

Entrevista com

Gustavo Borges, medalhista olímpico da natação

Catharina Obeid / Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2017 | 07h00

Dono de quatro medalhas olímpicas na natação, Gustavo Borges está incomodado com a situação do esporte no Brasil. Em entrevista ao Estado, ele comenta os problemas no COB e espera que sirvam de aprendizado para melhorar a gestão esportiva.

Como você avalia a prisão de Nuzman e a suspensão do COB?

É uma notícia de um impacto gigantesco não só no esporte nacional, mas internacional. Qualquer notícia desse tamanho ligada à Olimpíada nos deixa chocados, ainda mais com a dimensão que isso está tomando. Sinceramente, fico sem saber como reagir, triste. Lógico que cada uma das pessoas envolvidas deve ter sua defesa, mas o dano já foi feito.

Qual é o próximo passo?

Devemos usar isso como um momento de virada. A gente precisa mudar o modelo da gestão do esporte, (esse) é ultrapassado. Precisamos evoluir na governança, nas leis, na política pública. É discussão muito ampla, mas o fato é que estamos falando do mesmo modelo faz 20 anos. Não podemos viver mais como vivíamos há tanto tempo. Os estatutos das confederações são fracos, deixam as pessoas por muito tempo no poder, o que é prejudicial para toda e qualquer entidade. O ser humano é a peça-chave, precisamos de boas cabeças, bons gestores e boas pessoas no comando.

Como fica o legado esportivo depois de um ano da Olimpíada? 

Fere o nosso orgulho. Tivemos uma Olimpíada legal, agradável, com conquistas importantes e conseguimos passar uma imagem positiva. Hoje essa imagem está ficando cada vez mais distante. Começa a parecer cada vez mais com aquela piscina verde (condenada pelos atletas no Rio e ) pelo COB. A gente achava que 2016 era um ponto de partida, mas o legado na verdade acabou se tornando um problema. Qual saída para não deixar isso abalar o orçamento financeiro?

A gente se preocupa enquanto amante dos esportes em relação aos investimentos. É uma situação muito alarmante para o esporte nacional. Temos leis como a do Pelé (Lei Pelé), que obriga a transparência, e o movimento Pacto pelo Esporte, pelo qual as empresas colocam dinheiro (no esporte). Precisa ter esse tipo de segurança e credibilidade para que possam investir.

Qual é o impacto disso tudo na imagem do esporte?

O impacto é gigantesco, na instituição como um todo, nas federações de todos os esportes, sem falar nos atletas e gestores que representam tudo isso. A imagem do País vai ficar marcada. Além da crise e da corrupção, agora tem isso também. É lógico que o Brasil, o esporte e o COB são muito maiores do que as pessoas que estão na sua gestão. O ponto positivo é esse. Somos maiores que tudo isso que está acontecendo, mas precisamos de transparência.

Qual é a importância agora do movimento dos atletas?

É fundamental ter atletas que atuam nessa área, mas a estrutura do esporte no Brasil é montada para se precaver de qualquer pacto de atletas. Toda vez que você tenta conseguir uma abertura, se depara com vários jeitos de proibir essa participação. Precisa ser uma coisa objetiva, clara e transparente. Hoje o que os atletas podem fazer é verbalizar o assunto. Mas, se você tem medo, está aí outro problema para ser enfrentado. É por conta do patrocínio? De apoio? Você precisa ter direito de expressar sua opinião de uma maneira sensata.

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