A grande festa da globalização

O futebol movimenta hoje quase 1% do PIB mundial, graças à paixão popular e à sua importância com o produto de exibição

Amir Somoggi, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

A cada ano o futebol consolida-se como o principal esporte do planeta, graças à paixão de bilhões de torcedores de diferentes países pelos jogos de seus clubes e de suas seleções nacionais, e também pela transformação dos jogadores em verdadeiros ícones do futebol globalizado.

O futebol movimenta atualmente cerca de 1% da economia mundial. Essa profunda geração de recursos está diretamente relacionada à prática do futebol como esporte de participação e também por sua importância como produto de exibição.

A Fifa pode ser considerada a maior responsável por esse processo de fortalecimento, já que conta com 208 países membros e tem grande interesse em desenvolver o esporte em todos os continentes. Isso fica ainda mais claro analisando seu slogan - "For the Game, For the World"" -, provando que a lógica da entidade é fortalecer o futebol em todo o planeta.

Esse desenvolvimento passa pelo ambicioso plano de investimentos da Fifa. Entre 2007 e 2014 nada menos que US$ 6,5 bilhões terão sido investidos em seus eventos, projetos de desenvolvimento, governança, exploração de direitos e custos administrativos. Em 2009 a Fifa pela primeira vez apresentou receita total superior a US$ 1 bilhão, evolução de 84% em comparação aos US$ 575 milhões de 2003.

As principais receitas estão relacionadas aos direitos de transmissão e recursos de marketing, que englobam os diferentes parceiros da entidade. A Copa é sem dúvida o principal produto e a parte mais representativa do faturamento da Fifa.

A paixão que o futebol desperta resultou em maiores ganhos com os direitos de TV e patrocinadores. As últimas duas edições do Mundial, em 2002 e 2006, apresentaram audiências televisivas acumuladas em todas as partes do planeta de 29 bilhões e 26 bilhões de telespectadores, respectivamente. Assim, fica claro que o evento tem uma dimensão midiática e são os torcedores em suas casas, em bares ou locais públicos os maiores responsáveis pelo fortalecimento da Copa globalmente.

E esse é um dos principais motivos que leva os países a disputarem o direito de receber o evento, já que a exposição global repercute positivamente em diversos fatores, especialmente pelos benefícios econômicos obtidos.

Os valores anuais gerados pela Fifa com as receitas relacionadas ao Mundial se ampliaram profundamente. No período de 2003 a 2006 os direitos de TV da Copa geravam valor médio por ano de cerca de US$ 325 milhões, montante que registrou incremento significativo de 74% para o período de 2007 a 2009. O mesmo ocorreu com os recursos de marketing do Mundial, que produziram valor anual médio de US$ 140 milhões entre 2003 e 2006 e cresceram no mesmo patamar de 74% nos últimos três anos. Isso é reflexo de uma disputa cada vez mais acirrada pelos direitos de transmissão, bem como do interesse de patrocinadores.

Assim, as dúvidas sobre como será a organização da Copa de 2010, na África do Sul, na prática pouco afetarão os resultados da Fifa, pois suas principais receitas já estão garantidas por contratos de transmissão e patrocínio.

O grande desafio da Fifa e do Comitê Organizador de 2010 será conseguir atrair o interesse local pelo evento e contar com a presença de um número grande de turistas estrangeiros. A repercussão em termos globais é certa, pela presença dos maiores ídolos do futebol, que disputarão confrontos históricos. Esses jogos farão as pessoas pararem na frente de seus televisores, computadores e celulares, garantindo a consolidação do Mundial como a maior celebração do futebol global.

DIRETOR DA ÁREA ESPORTE TOTAL DA CROWE HORWATH RCS

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