A guerra do nariz

A direção do grupo Sonda espalha no mercado a informação de que a Inter de Milão oferece 35 milhões de euros por Paulo Henrique Ganso. Quando se pede mais detalhes, o Sonda informa que seriam 30 milhões de euros pelo meia e mais 6 milhões pelo pagamento integral da multa do volante Danilo, autor do gol que abriu a vitória contra o Cerro Porteño, na quinta-feira. No total, 36 milhões de euros.

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2011 | 00h00

A central de boatos do Sonda diz também que Danilo seria o substituto de Maicon, na Inter, e este seria vendido ao Manchester City em junho.

A história não se sustenta.

"O presidente Moratti não está convencido de que deve contratar o Ganso. Também não está seguro de que Leonardo será o técnico no ano que vem", avisa o jornalista Enzo Palladini, da rede de TV MediaSet, de Milão.

Leonardo é o avalista de Paulo Henrique Ganso para Massimo Moratti. Sem Leonardo, sem Ganso.

Depoimento de jornalista não deve ser levado a ferro e fogo. Nem de dirigente.

Ao mesmo tempo em que dizem ter proposta da Inter, os executivos do Sonda conversam com outros clubes brasileiros. Sobre a perspectiva de negociar Ganso ao Corinthians, gente do Sonda diz ter ouvido de Andrés Sanchez que não existe interesse no meia por apenas três meses. A exigência é contar com seu talento até o final do Brasileirão.

Eis a contradição: se a Inter oferece 35 milhões de euros agora, por que Ganso jogaria no Corinthians até agosto?

E se Ganso pudesse jogar no Corinthians até dezembro, é porque a Inter não tem interesse no craque agora. Logo, não há proposta de 35 milhões de euros.

A oferta da Itália parece um blefe. A chance de o Sonda pagar a multa para o mercado brasileiro só faz sentido com a convicção de que haverá interesse europeu em janeiro. Mas a proposta futura teria de ser grande para, no mínimo, empatar o investimento feito no pagamento da multa.

No caso Ganso, ninguém ainda fez essa conta. Nem o jogador. Nas últimas semanas, ele percebeu que nem todo mundo lhe diz a verdade. Teve atritos com pais e irmão, mas segue confiando no fundo de investimentos que detém 45% dos direitos de seu contrato. Também confia em Ronaldo. Há dez dias, aceitou o convite fenomenal para se sentar à mesa, dentro de sua agência, a 9ine. Surpresa! Andrés Sanchez também estava lá.

Na terça-feira, o diretor do grupo Sonda, Thiago Ferro, negou veementemente que o presidente do Corinthians tivesse participado da reunião. Passou a vergonha de ser desmentido em público por Ganso e Andrés Sanchez. Os dois confirmaram o encontro, com a ressalva de que não conversaram sobre o Corinthians. Andrés Sanchez mentiu para o país inteiro no episódio Adriano. Agora diz a verdade.

Neste duelo, as espadas são os narizes de Andrés Sanchez e Thiago Ferro, um mais comprido do que o outro. Os feridos são o Santos e Paulo Henrique Ganso.

Sem grana. O Flamengo se incomoda mais do que sua sócia, a Traffic, por ainda não ter estampado na camisa o patrocinador que ajudará a bancar Ronaldinho Gaúcho. Segundo a agência de marketing esportivo, as propostas são ouvidas e as decisões serão tomadas no tempo certo, para não aviltar o preço.

Enquanto o negócio não sai, Ronaldinho entra aos poucos no moedor de craques do futebol brasileiro. Joga bem, mas não empolga. O Flamengo é campeão da Taça Guanabara, mas não convence. Em janeiro, 20 mil rubro-negros foram à Gávea recepcioná-lo. Em abril, a torcida vai ao estádio ver o time, não o craque.

No Brasil, há um efeito inverso ao do futebol europeu. Lá, contratar craque é rotina e ele entra numa fábrica de grandes espetáculos. Aqui, a chegada do grande jogador é um acontecimento, que logo se mistura à monotonia do dia a dia. A Traffic concorda que esse efeito existe. Mas garante que não vai atrapalhar.

Últimos capítulos. O Cade tem até sexta-feira para acatar ou não denúncia de abuso do poder econômico, enviada pelo Clube dos 13 contra a TV Globo. Há dez dias, os clubes dissidentes decidiram convocar Assembleia Geral para neutralizar as decisões de Fábio Koff e pedir a demissão de Ataíde Gil Guerreiro. O local da reunião está anexado ao processo: a sede da TV Globo, no Rio.

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