A hora B, de Brawn

Grand Prix

Reginaldo Leme, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2009 | 00h00

Neste domingo a equipe Brawn, responsável pela maior reviravolta já vista na história da Fórmula-1, passa pelo teste definitivo para provar que pode ser campeã do mundo. Como Ross Brawn já vinha prevendo lá atrás, ainda na fase das vacas gordas, quando as equipes com mais dinheiro tivessem tempo de recuperar-se do estrago que a descoberta do difusor duplo havia causado, a situação se inverteria. O progresso delas seria muito rápido. Não deu outra. O momento anunciado por Ross Brawn não chegou para Ferrari e Mclaren, nem para BMW e Toyota. Mas chegou para a Red Bull, que conta com a cabeça criativa de Adrian Newey. Hungaroring pode brecar esta evolução. Vem em boa hora um circuito que precisa de pressão aerodinâmica máxima para se enfrentar as 14 curvas apertadas da segunda pista mais lenta do campeonato - só ganha de Mônaco - e tende a trazer de volta o equilíbrio entre as duas únicas equipes vencedoras de corridas este ano. Seria muito azar, depois do frio chuvoso de Silverstone e Nurburgring que tanto prejudicou seus carros, a Brawn enfrentar de novo uma situação como esta. O GP da Hungria foi marcado por forte calor em 22 das 23 edições desde 1986. Foi uma vez só, e não me lembro em qual desses anos, que Budapeste surpreendeu com temperaturas baixas e dias chuvosos. No resto é calor pra superaquecer motor, freio, câmbio, pneu e cabeça do piloto, além de derreter a gordura que estiver sobrando. É normal um piloto perder de dois a três quilos em uma hora e meia de corrida. É também o circuito mais difícil de se ultrapassar. Por isso, 92 % dos vencedores de Hungaroring largaram nas três primeiras posições, sendo 65% deles na pole. Apenas em duas corridas tumultuadas a escrita foi contrariada: em 1989 Nigel Mansell conseguiu vencer saindo na 12ª posição; em 2006 Jenson Button largou em 14º e conquistou a única vitória da Honda nos seis anos de parceria com a BAR mais os três em que correu com o próprio nome. Além de Button, também Damon Hill (1993), Fernando Alonso (2003) e Heikki Kovalainen (2008) estrearam como vencedores de GP em Hungaroring. Este ano, dois pilotos ainda sem vitórias que poderiam surpreender na Hungria são Nico Rorberg (7º no campeonato) e Timo Glock (8º). Mas tudo leva a crer que a cota de vencedor novo deste ano já foi esgotada com Mark Webber. Veja como é a F-1: Alonso e Webber começaram juntos, os dois passaram pela Minardi e foram levados a equipes maiores como esperanças. Hoje têm os mesmos 130 GPs disputados, mas o espanhol, com melhor sorte por onde passou, soma 21 vitórias, 17 poles, 52 pódios e 564 pontos. Webber no começo deu pinta de ser tão bom quanto Alonso, mas não é, teve carreira mais difícil e só agora chega à 1.ª pole e 1.ª vitória, com total de 7 pódios e 145,5 pontos. Fazendo justiça a Webber, uma diferença de resultados muito maior do que a real diferença de talento entre eles. Da trágica morte do jovem Henry Surtees na segunda etapa da recém-recriada Fórmula-2 domingo passado, fica a ironia dos nomes envolvidos. Henry era filho do ex-campeão mundial John Surtees. Brands Hatch é um circuito no qual Surtees e seu grande rival Jim Clark, ambos britânicos, travaram grandes batalhas. Jim Clark, também campeão em 63 e 65, morreu em 68 numa corrida de Fórmula-2. E a roda que agora vitimou Henry Surtees escapou do carro de um adversário chamado Jack Clarke.

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