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A hora de sair

Até Neymar já percebeu que chegou a hora de ir embora. Quando iniciar os treinamentos com a seleção brasileira para a Copa das Confederações, no final de maio, verá que quase metade da temporada se passou sem que mereça destaque em sua curta e bem-sucedida carreira.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2013 | 02h03

Os quatro gols marcados no União Barbarense não são desprezíveis, mas sabemos que Neymar é muito maior que um Estadual decadente como o Paulista. Não restam muitas alternativas ao Santos. Permitir a saída do jogador sem uma boa recompensa impediria a remontagem da equipe sem sua principal estrela.

Mas isso não vai acontecer. Faz tempo que o Barcelona não só demonstra interesse em contratá-lo como dá passos consistentes para travar o assédio da concorrência. O time catalão estava disposto e preparado para esperar mais, para acompanhar à distância o amadurecimento do menino.

No entanto, quase cinco anos depois, o modelo atual tem revelado certo esgotamento tático e técnico. Até a equipe mais festejada do planeta precisa estar atenta a isso. Neymar não é um jogador comum, trata-se de um fora de série, mas provavelmente necessitará de um período de adaptação ao futebol europeu e, especialmente, às necessidades do Barcelona.

Logo de cara será apresentado ao futebol coletivo, a uma maneira de treinar e de jogar capaz de ampliar as possibilidades de um craque se dar bem. Desde que ele aceite a novidade. A matriz do futebol do Barça é a posse de bola fermentada pela técnica. Os dribles e a irreverência do brasileiro jamais serão podados, mas deverão se enquadrar ao padrão da equipe.

Pela complexidade do futebol catalão, talvez o atacante precise de mais tempo para se adaptar ao time do que Lucas ao Paris Saint Germain. Talvez. O Barcelona saberá como inseri-lo no seu esquema, pois nunca precisou tanto de um fato novo como agora, a caminho da sexta semifinal consecutiva da Liga dos Campeões. E sem poder ser definido como favorito contra o Bayern de Munique.

Do ponto de vista do futebol, a mudança poderá contribuir muito para o desenvolvimento de Neymar. Dentro de campo, será obrigado a trocar mais passes e a jogar em espaços reduzidos. Felipão agradece, contribuirá muito no Mundial, assim como já acontece com Lucas na França, resultado de nova postura tática e de participação integral na partida, com e sem a bola.

Aprenderá também a jogar em pé, a trocar a falta cavada pela possibilidade de manter-se na disputa pela bola. Neymar tem um longo caminho a percorrer. Mas tem o talento, e isso é tudo.

A capacidade de atração do futebol europeu ainda é imensa. E não será com as partidinhas dos Estaduais que os principais jogadores serão mantidos por aqui. O presidente da CBF bem que poderia se manifestar sobre essa situação, por obrigação e por respeito ao cargo, mas ultimamente ele anda mais preocupado com as novidades do YouTube.

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