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A Liga

O que faria o Botafogo pensar em devolver o Engenhão para a Prefeitura do Rio de Janeiro? Construído para os Jogos Pan-americanos de 2007, custou seis vezes mais para o bolso do contribuinte do que o previsto. Sob o controle do clube, significava a possibilidade de reabilitação de uma das mais tradicionais instituições do esporte nacional.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2013 | 02h09

Os problemas estruturais detectados na cobertura do estádio pesam menos na avaliação do Botafogo do que o fracasso na administração da nova casa. São os velhos e intermitentes problemas de gestão do futebol brasileiro. A situação é tão grave que até quem chafurda na incompetência já percebeu que algo deve ser feito.

Mas sempre pode ficar pior. A repórter Gabriela Moreira, da ESPN, revelou na quinta-feira que o Maracanã, depois de consumir R$ 1 bilhão para a Copa do Mundo de 2014, precisará de uma nova reforma para atingir os padrões técnicos exigidos pelo Comitê Olímpico Internacional para os Jogos de 2016. Vem aí mais uma obra, acredite.

Seria muito melhor escrever apenas sobre futebol. Mas que futebol? Houve algo relevante nos últimos dias, além da derrota do São Paulo para o Strongest e o confronto entre a polícia mineira e os jogadores do Arsenal de Sarandi? Talvez o amistoso da seleção brasileira contra a Bolívia, mas pensando bem...

O futuro está nas mãos dos clubes, na constituição de uma liga responsável pela organização do negócio. Há muito tempo a Inglaterra, de onde escrevo esta coluna, deixou a federação de lado.

Estou na cidade de Manchester para comentar o clássico entre os times da cidade. Aqui a rivalidade não é para amadores, mas tem limites. Precisa ser boa para todos.

A partilha equilibrada da receita de televisão é um bom exemplo disso. Não existe santo em gramados ingleses, mas a indústria funciona porque até os espertalhões sabem que a missão de organizar o campeonato é de quem o disputa.

É óbvio que nem todos os modelos são replicáveis no Brasil, como o que possibilita a compra e a venda de um time. O Manchester United pertence à família Glazer, dos Estados Unidos, enquanto o City está nas mãos da família real de Abu Dhabi, dos Emirados Árabes.

Logo mais, a partir das 16 horas (de Brasília), no Old Trafford, a única certeza é que haverá uma multidão injetando dinheiro na conta do clube e se divertindo, na mais pura atmosfera do futebol. O torcedor investe pesado para comprar ingressos, mas a entidade também se esforça para fazer a sua parte.

E nós, o que estamos fazendo? Arquitetando planos para salvar os clubes da falência, tentando eliminar dívidas com mágicas parlamentares no Congresso Nacional. É a maneira da cartolagem vestir o retrocesso com a roupa do avanço. E de se manter no poder com um altíssimo custo político e social. Sabe quem vai pagar a conta? Enquanto a missão estiver a cargo dessa gente vai sair caro.

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