A luta dos Bellucci para seguir o número 1

Família do principal tenista do País, em peso no Sauipe, guarda dinheiro e acumula milhas para [br]incentivá-lo nas quadras

Giuliander Carpes, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2011 | 00h00

Ildebrando Bellucci jamais poderia imaginar que um conselho médico e uma ideia simples seriam os primeiros passos para a revelação do melhor tenista do Brasil depois de Gustavo Kuerten. Há cerca de 20 anos, depois de ouvir do seu ortopedista que futebol causava muitas lesões, o empresário do ramo de confecção infantil resolveu transformar um campo numa quadra de tênis no seu sítio em Tietê, interior de São Paulo. Depois de um pouco de esforço físico dele e do caseiro da família, estava pronta a quadra que, inicialmente, divertiu seus filhos Thomaz e Beatriz, mas depois virou coisa séria para o menino, hoje 37.º do ranking.

Toda a família Bellucci deu os primeiros passos no esporte ali. Ildebrando e sua mulher, Maria Regina, primeiro. Depois, os filhos. Até hoje Regina, como gosta de ser chamada, joga com a primeira raquete de Thomaz. "Ela é bem levinha, ótima de jogar", conta. O pai já usa o mesmo bastão que o filho utiliza no circuito mundial e não é raro vê-lo até com as roupas que o profissional veste pelas quadras mundo afora.

A família de Bellucci ainda não conseguiu acompanhar o filho por todos os torneios do mundo. Mas se esforça. E vem acumulando milhagem aérea. Ildebrando e Regina já assistiram ao filho jogar no Chile, nos Estados Unidos e até na França.

"O jogo que mais me emocionou foi em Roland Garros, quando ele enfrentou o Nadal (derrota por 6/2, 7/5 e 6/4, no ano passado). Ver aquela quadra enorme, cheia de gente, e o meu filho ali como um dos protagonistas foi uma experiência incrível", recorda Regina, 57 anos. A próxima escala do tour deverá ser em Wimbledon. "Temos de aproveitar que agora estamos mais velhos e temos mais condições de viajar para segui-lo."

A relação com o filho durante os torneios é curiosa. Principalmente na Costa do Sauipe, onde o complexo com as quadras é integrado ao hotel em que tanto o jogador quanto sua família estavam hospedados. Enquanto Thomaz treinava, o resto dos Bellucci ia para a praia. Nas refeições, mesas diferentes. A da família era uma festa, com sorrisos e histórias contadas em voz alta. O tenista ficava noutro canto com o técnico Larri Passos.

"Já é a terceira vez que viemos para cá e sempre procuramos respeitar o espaço dele", afirma Ildebrando, 60 anos. "Nós seguimos a nossa rotina e ele segue a dele", explica Beatriz, 25, que continua batendo bola nas horas livres, mas trabalha com traduções.

Desta vez, no entanto, a comitiva dos Bellucci era enorme. Além dos três, havia um casal de tios, os sogros de Beatriz e seu noivo. "Quando contamos para ele que seríamos oito pessoas aqui, ele se surpreendeu: "Precisa ir tanta gente?"", conta Regina. "Quando ele era juvenil, odiava que fôssemos assistir aos seus jogos. Agora acho que ele ainda não gosta."

Bellucci esclarece a questão: "Nos tempos de juvenil, me sentia pressionado. Hoje tem tanta gente nos torneios que nem os vejo na arquibancada".

Agruras de mãe. Regina é quem mais sofre com as críticas a Thomaz, que fatalmente virão depois da derrota de ontem (ver matéria ao lado). "Ficamos bastante chateados, né? Quando acredito que ele vai sofrer alguma crítica, já nem entro na internet.", diz. "Às vezes falta embasamento e isso magoa", completa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.