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A maior conquista da vida de Thiago Pereira

Em prova brilhante, brasileiro é prata nos 400 m medley e entra para a galeria dos medalhistas olímpicos

ALESSANDRO LUCCHETTI, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h01

LONDRES - Thiago Pereira reconhece que este ano estava estranho. Ele viu o time que o patrocina, o Corinthians, conquistar a Libertadores pela primeira vez. No MMA deu a lógica: Anderson Silva, que igualmente defende as cores do clube, manteve seu cinturão, derrotando Chael Sonnen. "Eu pensei: vou ter que fazer alguma coisa também, senão vai ficar chato'', brincou. Quase sempre rondando o pódio em competições importantes, sem contudo alcançar um dos três primeiros degraus, o nadador desta vez chegou lá. Ele entrou para a galeria dos medalhistas olímpicos da natação ao obter a prata ontem, nos 400 metros medley.

Para realizar o seu sonho, o brasileiro deixou para trás em Londres ninguém menos do que o norte-americano Michael Phelps - a fera terminou apenas em quarto, decepcionando os torcedores. Só Ryan Lochte, o também norte-americano que tem tudo para ser a vedete da natação nos Jogos, o superou, com o tempo de 4min05s18.

O nadador fluminense fez uma prova inteligente. Com 4min08s86, terminou bem atrás de Lochte, um monstro. O brasileiro evitou o erro de sair muito forte na primeira parte, o nado borboleta, para não comprometer sua resistência no final.

Após 100m, estava em quinto, posição que manteve depois de nadar ida e volta novamente, no nado costas. No nado peito, seu melhor estilo, reagiu de forma impressionante, ultrapassando Phelps, o japonês Kosuke Hagino (bronze) e o sul-africano Chad Le Clos.

Por fim, no crawl, no qual sempre era ultrapassado, devido ao cansaço, mostrou resistência e segurou o segundo lugar.

A conquista da prata premia um nadador que foi capaz de retraçar o seu caminho várias vezes. Primeiro, deixou o Minas Tênis e seu treinador, Fernando Vanzela, para se preparar em Los Angeles, por dois anos, ao lado de colegas consagrados como o japonês Kosuke Kitajima e o tunisiano Oussama Mellouli. "Vi que eles treinavam para ser campeões olímpicos, não para apenas ir à Olimpíada.''

Mas a preparação proporcionou amadurecimento, não resultados práticos. No Mundial de Xangai, após novamente se ausentar do pódio, pensou em parar. "Fiquei com vontade de fazer outra coisa na vida, de chutar o balde.''

A revolta durou poucos dias. Era a hora de voltar ao Brasil, e Thiago apostou no projeto de Cesar Cielo. Uniu-se ao PRO16 e foi treinar no Centro Olímpico do Ibirapuera, em São Paulo, sob o comando de Alberto Pinto da Silva, o Albertinho.

"Desta vez, eu senti que ia sair com o dever cumprido, mesmo se não ganhasse medalha, porque fiz tudo o que tinha que fazer'', diz Thiago, que finalmente passou a seguir orientação de um nutricionista. "A medalha olímpica é fruto desse comprometimento. Passei a fazer musculação, ganhei força e não canso facilmente, principalmente no final de prova. Também passei a nadar a prova com mais inteligência e vi que isso fez a diferença.''

Thiago reconhece que se deslumbrou após embarcar no brilho duvidoso do Pan de 2007, no Rio, quando conquistou seis medalhas de ouro e uma de prata. "Cheguei a Pequim sabendo que não tinha me preparado.''

Em Londres, Thiago se diz mais preparado para os 200m medley, que será disputado no dia 2 de agosto. Mas Phelps vem ferido em seu orgulho e Lochte, como se viu, está no auge. Hoje, o prodígio de Baltimore nada nos 200m livre, prova que tem eliminatórias a partir das 10h20.

A medalha conquistada por Thiago Pereira é a 12ª da natação brasileira na história das olimpíadas: 1 ouro, 4 pratas e 7 bronzes.

FORA DA LUTA

Felipe França, que era tido como esperança de medalha nos 100 m peito, fez apenas o 12.º tempo (1min00s01) durante as eliminatórias, uma posição à frente de outro brasileiro, Felipe Mina, 13.º com 1min00s08. Ambos estão fora da luta pelo pódio olímpico. A final da prova será neste domingo à tarde.

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