A maior vitória de Servílio

Ex-pugilista supera adversidades e comanda projeto para 80 crianças

Glenda Carqueijo, O Estadao de S.Paulo

12 de fevereiro de 2008 | 00h00

Dar um golpe na ociosidade para evitar que jovens caiam nas drogas e na criminalidade. Esse é o desejo de Servílio de Oliveira, único medalhista olímpico do boxe brasileiro (bronze no México/1968), e do filho Ivan, que darão início às atividades do esporte, na segunda-feira, no projeto social que atenderá crianças e adolescentes de São Mateus, na zona leste de São Paulo. As inscrições gratuitas foram abertas ontem para o curso de boxe - o carro-chefe do projeto -, que dará assistência a 80 garotos. No primeiro dia, 14 meninos foram ao local preencher suas fichas. O terreno pertence à Prefeitura e funcionava como Centro Desportivo Municipal (CDM). Agora, tem nova razão social. É a Associação de Clubes da Comunidade Centauro, que poderá vir a ser um clube-escola.Ajudar a comunidade carente era um sonho antigo do ex-pugilista. Desde 2004, vem batalhando por esse sonho. Servílio precisou correr atrás. Levou seu projeto à Secretaria Municipal de Esportes e à Sub-Prefeitura de São Mateus. Só em 2006 o local foi reativado. "Quando cheguei aqui, estava tudo detonado", lembra. Graças à iniciativa de Servílio e da verba que recebeu da Secretaria de Esportes - R$ 150 mil -, ele conseguiu montar a academia de boxe, reformar vestiários e banheiros e limpar todo o matagal. Servílio ainda teve de injetar aproximadamente R$ 4 mil do bolso para a regulamentação do terreno. A sala onde funcionava um boteco foi transformada em uma academia, com ringue oficial e todos os aparelhos necessários para a prática do boxe - são 6 sacos, 5 pêras, 1 teto-solo e 1 pushball, além de 12 pares de luvas, 10 capacetes, 14 luvas para base, protetores bucais e cordas. Todo o material foi doado pela América, marca esportiva.O carinho pelo bairro de São Mateus é história antiga da família Oliveira. Servílio, que hoje mora em Santo André, morou no local por 20 anos. Seu filho Ivan, de 26 anos, foi criado no bairro. "A molecada não tinha opção de lazer. A única atividade que faziam no fim de semana era jogar bola na escola. Aqui, vamos dar oportunidade para as crianças se tornarem cidadãs, e por que não novos Servílios?", diz Ivan, que é técnico de boxe. O lugar é privilegiado. Duas escolas públicas cercam o terreno. "Vou levar cartazes nas escolas e igrejas para divulgação", conta Servílio. Pai e filho tocarão o projeto. O objetivo é que outras modalidades, como basquete, handebol, vôlei, futsal e capoeira, sejam inseridas no projeto.

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