A mais nova revelação gaúcha

Guilherme Macuglia deixou o Sul para brilhar no Guará

Amanda Romanelli, O Estadao de S.Paulo

03 de abril de 2008 | 00h00

Líder do Campeonato Paulista e campeão do interior em 2007, o Guaratinguetá já está garantido nas semifinais da competição. A briga pelo título, claro, está nos planos da equipe, que no domingo enfrenta o Ituano para tentar manter o 1º lugar. O técnico Guilherme Macuglia, porém, já pode se sentir vitorioso. Está atingindo uma meta pessoal, traçada ao deixar o sul do País no fim do ano passado: conquistar a visibilidade que só o Estadual mais disputado do Brasil pode proporcionar.Gaúcho de Ijuí, assim como Dunga, Macuglia tem 46 anos. E, da mesma maneira que outro técnico, Muricy Ramalho (de quem foi auxiliar, no Inter), uma grave lesão no joelho prejudicou o desenvolvimento da carreira como jogador. Assim como Ronaldo, rompeu os ligamentos. E quando isso acontecia na década de 1980 era praticamente um atestado para o fim da atividade profissional.''Eu tinha apenas 24 anos e jogava no Figueirense'', diz o treinador, com forte sotaque gaúcho, mas de fala calma e pausada. ''Em um jogo contra o São Paulo, sofri uma ruptura de ligamento. Passei por quatro cirurgias em cinco anos. Praticamente não joguei mais.''Macuglia decidiu, então, virar treinador. Voltar para São Paulo sempre foi uma vontade, com base na experiência que teve em 1982, quando ainda era atacante e disputou um Estadual pelo América de São José do Rio Preto. ''Eu vi, naquela época, o que era estar em São Paulo'', lembra. ''O campeonato é forte, diferente. Por isso quis ter essa experiência aqui, como técnico'', explica.Antes, formou-se em Educação Física e passou 12 anos trabalhando no Rio Grande do Sul. Aos poucos, foi avançando pelo mapa do Brasil. Passou pelo Criciúma, onde foi campeão da Série C, em 2006. Encontrou no Coritiba, ano passado, sua primeira vitrine. Formou o time que acabou sendo campeão da Série B, mas foi demitido após as primeiras rodadas da Segundona, em guerra com a torcida coxa-branca.''Fizemos do Paranaense um laboratório (o time foi eliminado nas semifinais), com garotos novos, como o Pedro Ken e o Keirrison'', conta Macuglia, que teve um começo irregular na Série B: duas vitórias e duas derrotas. ''Montei o grupo que conseguiu o acesso. Mas a pressão no Coritiba era enorme, com problemas políticos fora de controle. Era preciso criar um fato novo. Aí, demitiram o técnico.''Depois que deixou o Coxa, Macuglia ainda passou pelo Joinville. Em novembro, acertou com o Guaratinguetá, uma equipe que já chamava a sua atenção desde o início de 2007. ''Acompanhei a campanha do ano passado, quando o time foi campeão do interior. Gostava do elenco, pelas características dos jogadores. Tanto que levei o Edson Bastos (goleiro) e o Jéci (zagueiro) para Curitiba.''Treinar um clube-empresa, cujo objetivo principal é o lucro com a venda dos jogadores, tem sido um desafio. ''Por causa da mentalidade empresarial, tudo o que fazemos é bastante controlado. Existe hierarquia, forte cobrança. E, principalmente depois da campanha do ano passado, a meta agora vai além de chegar entre os quatro semifinalistas. É brigar pelo título.''No comando, Macuglia diz ter o estilo gaúcho - mescla a disciplina tática com os modos de paizão. ''Quero sempre saber da vida do meu atleta, saber da família, dos problemas. Mas exijo a disciplina dentro de campo.'' Na hora do jogo, deixa a tranqüilidade de lado e se transforma. ''Eu vivo muito os 90 minutos. Sou muito agitado, gosto de gritar, de participar.''O Paulista é a principal competição do ano. Afinal, Macuglia ainda não sabe como será o segundo semestre do Guará. Muito menos se estará no comando do time após o Estadual. Apesar do proclamado planejamento, o técnico tem contrato - verbal, diga-se de passagem - apenas até o fim do Paulista.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.