A mais sofrida das derrotas

Abatidas, as brasileiras não sabiam explicar como o ouro escapou

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

A dimensão da tristeza - enorme, praticamente incontrolável - pela derrota para Cuba estava refletida nos olhos marejados da líbero Fabiana Oliveira, a Fabi, justamente a mais baixa das jogadoras brasileiras com seu 1,67 m. ''''Claro que tenho orgulho pela medalha de prata, mas a dor, nesse momento, é difícil de suportar'''', disse Fabi, tentando controlar as lágrimas. ''''Sei que vou para casa e ficarei pensando durante muito tempo nos nossos erros. Uma pena que isso não vai alterar o resultado.''''Uma avaliação fria do placar, de fato, ainda era impossível de ser feito pelas jogadoras, incomodadas por acompanhar o hasteamento da bandeira cubana no ponto mais alto, em um Maracanãzinho já esvaziado pelo desânimo. ''''Com a cabeça mais fria, vamos precisar conversar muito sobre o resultado, pois não perdemos por detalhes, uma vez que as cubanas erraram mais que a gente'''', raciocinava a ponta Paula Pequeno. ''''Talvez tenha faltado um pouquinho mais de determinação, que pudesse ter feito a diferença'''', completou a ponta Sassá.Mesmo tentando a todo custo evitar uma comparação, as jogadoras não conseguiram escapar da lembrança da derrota do Mundial do ano passado, quando perderam para a Rússia também no tie-breaker. ''''Aquele jogo faz parte do passado e não temos mais como tirar algum proveito'''', disse, secamente, Sassá. Mais ponderada, a pequena Fabi também evitava um paralelo, mas não desprezava sua importância. ''''É na derrota que o time tem mais a aprender.''''Aprendizado, aliás, foi o grande mérito de Cuba na vitória de ontem, no entender de Eugenio Rafael Lafto, um dos auxiliares do treinador Antonio Perdomo. ''''Nosso time se capacitou não apenas tecnicamente, mas, principalmente, por ser paciente'''', comentou. ''''Nenhum erro foi capaz de desestruturar totalmente a equipe e essa persistência acabou surtindo resultado.'''' Para ele, a conquista do Pan é o passo definitivo para credenciar Cuba como favorita ao ouro olímpico, no próximo ano, em Pequim.ARROZ DE FESTAO fracasso brasileiro frustrou também uma legião de personalidades, que se apertou na área VIP do Maracanãzinho para ficar com um olho no jogo e outro nas câmeras de fotógrafos e de televisão. De ex-esportistas como Oscar, Hortência, Paula, Bernard, Patrícia Amorim, Maurício e Aída dos Santos, passando por atores como Marco Ricca e Mariana Ximenes, até chegar aos indefectíveis políticos como o governador Sérgio Cabral Filho e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, todos cumpriam com o protocolo esperado de uma celebridade, distribuindo sorrisos e torcendo com afinco.O problema era o exagero - o apresentador Luciano Huck, por exemplo, atuou como comentarista para uma emissora de tevê, mesmo sem entender direito o jogo. ''''Vim mais para torcer que para comentar'''', divertiu-se.

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