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Antero Greco
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A medida do campeão

O futebol imita a vida e classifica times e profissionais por conquistas. Números e cifras costumam prevalecer como parâmetros indesmentíveis a respeito de sucesso ou fracasso. Atitude inevitável associar eficiência de uma equipe, ou genialidade de um jogador, à quantidade de troféus acumulados. Ou colocar-lhes a pecha de perdedores por falhas em ocasiões especiais, sobretudo em decisões.

ANTERO GRECO, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2016 | 06h25

Trata-se de meias-verdades.

Chover no molhado lembrar que nem sempre o melhor vence num esporte em que diversos fatores contam para determinar vitórias memoráveis ou derrotas intragáveis. Planejamento, estratégia, qualidade, treinamentos, habilidade contam muito. Mas o imponderável, o acaso, ou o Sobrenatural de Almeida de Nelson Rodrigues, ainda decide, de torneios de várzea a títulos de Copa do Mundo.

Raciocínio simplista leva a rótulos e preconceitos. O mais frequente é o de comparar trajetórias de astros com base nas taças vencidas. Por essa lógica torta, por exemplo, Viola e Luizão seriam melhores do que Cerezo e Falcão, porque campeões mundiais com o Brasil. Que bom para os dois primeiros, parabéns! Tiveram mérito nisso. Mas o tempo construiu imagem melhor da outra dupla, por conjunto de obras mais consistentes. Viraram clássicos.

Você já intuiu o porquê desta nossa conversa. Exato, por causa de Lionel Messi. O rapaz é um fenômeno da bola, um gigante que destrói defesas e arrebata corações de fãs, da China à Patagônia. Com a camisa do Barcelona. No entanto, com a 10 gloriosa da Argentina parece que brilha menos. Será? Os que o criticam sacam estatística, essa divindade moderna e indesmentível.

A mais cruel, no momento: chegou a quatro finais com o time principal e não ergueu uma copa sequer. Pior: “amarelou” no domingo, ao desperdiçar pênalti diante do Chile. Pronto, eis a prova cabal de que Messi não passa de produto de mídia, invenção, marketing e etc. Que ele tem promoção, não duvido, como todo ídolo de hoje. Mas só vingou pelo talento extraordinário.

Daí, vêm novas analogias, a mais banal: “Não é melhor do que Maradona”. Como dizem que Romário é maior do que Zico. Cretinice, disparate e cotejamento injusto com todos eles. Cada qual tem espaço privilegiado, na história do futebol e no carinho dos fãs, pelas proezas e estripulias que fizeram com a gorduchinha nos pés. Assim como Roberto Baggio foi superlativo, em 1994, ao levar a Itália nas costas no Mundial disputado nos EUA. Não seria o pênalti chutado pra fora, que decretou o tetra brasileiro, que diminuiu a reverência dos patrícios dele.

Em ocasiões como a que vive Messi na atualidade – e vale para Zico, Baggio e tantos outros –, cabem os versos de uma canção linda de Francesco De Gregori, autor admirado demais na Itália e infelizmente quase desconhecido por aqui. Muitos anos atrás, falava de um garoto em início de carreira com medo de cobrar uma penalidade. “Não tenha medo de errar o pênalti”, dizia a música La leva calcistica dell’68, “porque um jogador se analisa por coragem, generosidade e criatividade’’.

Nesses quesitos, há como duvidar da importância de Messi e inúmeros craques que, por acaso, não foram campeões com seleções? Ora, ora...

Olho neles. Santos, São Paulo e Corinthians entram em campo, nesta noite, e cada um merece atenção.

Os santistas estão em alta, subiram para o terceiro lugar (19 pontos), têm o segundo melhor ataque (18 gols, 4 a menos do que o Palmeiras) e a defesa menos vazada (9). Combinam força ofensiva com organização. Não será surpresa se passarem pelo Grêmio, em Porto Alegre.

O São Paulo não sabe direito o que fazer no Brasileiro. Na semana que vem joga pela Libertadores e a tendência é poupar titulares contra o Flu. Com o risco de perder espaço na corrida pelo título nacional.

O Corinthians oscila, porém está no G-4. Mesmo fora de casa, tem obrigação de bater o lanterna América-MG para provar que é bom de briga.

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