Daniel Piza, daniel.piza@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2008 | 00h00

Que o Brasileirão está disputado e tem tido alguns jogos "eletrizantes", como se diz, não há como negar. Mas também é difícil discordar de Luxemburgo quando afirma que nenhum time está enchendo os olhos e que faltam craques. Do Grêmio ao Internacional, separados por apenas sete pontos (com 69 pontos ainda por disputar!), os oito primeiros lugares são elencos quase todos equivalentes. Com as exportações e contratações em curso, muito ainda vai mudar. O próprio Inter trouxe dois meias de que precisava para ajudar Alex e Nilmar, o argentino D?Alessandro e o brasileiro Daniel Carvalho. Ninguém consciente pode dizer que não tem chances reais de liderança.Ao contrário do que ocorreu em todos os campeonatos por pontos corridos de 2003 até hoje, quando o vencedor do primeiro turno foi o vencedor do torneio, neste ano é impossível achar que isso vai se repetir. No ano passado, por exemplo, o São Paulo podia não encher os olhos, mas tinha de longe a melhor defesa do Brasil e o elenco mais versátil e coeso. Hoje a equipe continua competitiva, e mesmo que perca Hernanes e Alex Silva já fez algumas contratações; mas não desponta claramente em nenhum dos quesitos técnicos ou táticos.Mesmo assim, não se trata de um "nivelamento por baixo". Não estamos falando de times fracos, mas de times medianos ou, mais do que isso, interessantes. A expectativa para um jogo como o de hoje à noite entre Palmeiras e Flamengo não é a de passar 90 minutos sofrendo diante dos maus tratos à bola, de um festival de grossuras; nada disso. Luxemburgo finalmente tem de volta Pierre e Léo Lima, cuja ausência o obrigou a tentar um esquema com três zagueiros que só funciona quando você tem três bons zagueiros... Valdívia e Diego Souza também jogam. Do outro lado, o Flamengo sofre com a venda de seu ataque (Marcinho e Souza), mas ainda tem dois bons laterais, Íbson e outras opções.Os técnicos dos oito primeiros colocados, por sinal, também são quase todos de bom nível. Muricy, por exemplo, mostrou isso contra a Portuguesa, ao trocar um volante por um atacante quando perdia a partida. E como é bom que tenha dado liberdade a Dagoberto para atacar mais, em vez de ficar berrando à beira do gramado para que voltasse sempre para marcar no meio. Foram três gols em três jogos. Também é um prazer ver Nilmar funcionando como autêntico centroavante, incisivo e frio, características que são para poucos atletas. Wagner, Alex, Thiago Neves... Não, não estamos no fundo do poço. Apenas a meio.VISTA CHINESAEstarei ausente destes "Boleiros" por quatro semanas, porque estarei em Pequim cobrindo a Olimpíada diariamente a partir de segunda. Além de mergulhar na vida chinesa, pretendo acompanhar os jogos da seleção de futebol. Anteontem, num "treino" contra Cingapura, Ronaldinho mostrou estar a fim de retomar a carreira. Mas o time tem problemas e um deles é o exagero que costuma cercar o camisa 10, como mostraram as manchetes dos jornais de ontem. De qualquer modo, reitero: o elenco é bom e tem quase tudo para ganhar a medalha.Poderia meditar observando o que aconteceu com a seleção de vôlei, derrotada em território brasileiro. Isso me lembra que todo mundo disse que a seleção de futebol de 2006 falhou por não ter passado pelo Brasil antes... Otimismo demais pode atrapalhar. Todos diziam que a medalha de ouro era "barbada", que o time de Bernardinho é imbatível, etc. Mas há outras seleções no mesmo patamar técnico, e talvez a brasileira esteja desgastada apesar de algumas renovações. É esse o maior dos males: quando o Brasil é favorito e perde, a culpa é do "salto alto"; o mérito jamais é do adversário. Mas o time, que é muito bom, agora está mais do que nunca ciente disso.

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