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Antero Greco
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A mesma praça...

A memória prega peças interessantes, leva a associações com situações aparentemente perdidas no tempo, que retornam quando menos se espera. A lista da seleção para os jogos com Argentina e Peru, logo mais pelas Eliminatórias do Mundial de 2018, estimulou um cantinho no cérebro que fez vir à tona antigo sucesso de Ronnie Von.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2015 | 02h04

A moçada de hoje talvez só o conheça como apresentador de tevê e não saiba que foi cantor na juventude. Não tinha lá grande voz, mas era boa pinta e emplacou alguns hits. Um deles, "A Praça", dizia em certo trecho: "A mesma praça, o mesmo banco/As mesmas flores, o mesmo jardim./ Tudo é igual..." e por aí vai.

A sensação que fica é a de que o Brasil não tem muito o que mudar, após as partidas iniciais contra Chile e Venezuela, na caminhada para a Rússia. Por aquilo que o técnico deu a entender, na entrevista tradicional após a divulgação dos nomes, o grupo correspondeu às expectativas, foi preservado, e tal procedimento vai repetir-se.

Por um lado, soa como coerência de conduta e método de trabalho, além de sinal de que os atletas podem confiar no senso de justiça do comando. Ou seja, todos têm o aval de Dunga e colaboradores. Por outro, escancara como é restrita a variedade de gente de alta qualidade para vestir a amarelinha.

A reafirmação da maior parte do elenco anterior funciona como atestado de que devemos nos contentar com a safra atual. E o momento não se revela dos mais generosos para um País que tem tradição de distribuir craques com generosidade pelo mundo todo.

O Brasil tem geração tão comum que se reflete no grupo de concorrentes para o prêmio de Melhor do Mundo oferecido pela Fifa. O único patrício no meio de feras é Neymar, o que deixou de ser novidade. Argentinos, chilenos e colombianos têm mais citações.

Dunga passa fidelidade e apreensão. Vá lá que não queira perder a mão com muitas trocas, mas não há como convencer-se de que a vitória sobre rival frágil como a Venezuela tenha mostrado a estrada justa. O Brasil de hoje, com limitações e temores, é o que se complicou em Santiago e não o que passeou em Fortaleza. Se o técnico tomar venezuelanos como parâmetro, o risco de levar topadas aumenta - e muito.

Em tempo: o retorno de Neymar só serve como registro, pois era óbvio, após cumprir suspensão. A presença de Cássio é reconhecimento do trabalho do goleiro e, sobretudo, do comportamento do Corinthians líder do Brasileiro que, de novo, emprestará o talento de Gil, Elias, Renato Augusto.

Copa do Brasil. O Santos está melhor do que o São Paulo, não precisa ser observador astuto para constatar. Ganhar o duelo no Morumbi também não estava fora de cogitação. Mas fazer 3 a 1, fora outras ameaças de gol, pesou demais. Um castigo dolorido, diferença difícil de anular na Vila, e que mostra dois aspectos: 1 - o ressurgimento alvinegro, depois de largada horrorosa no Brasileiro; 2 - a decadência tricolor, como reflexo de política interna superada. O São Paulo parou no tempo, ao optar por política encarquilhada. O futebol paga.

Ainda na Copa, o Palmeiras voltou do Rio aliviado, apesar da derrota por 2 a 1 para o Fluminense. Sobressaiu o sentimento de que a missão no Allianz Parque não seja tão delicada; basta 1 a 0 para ir à final. Na teoria, tudo bem; na prática, não.

O Palmeiras outra vez flertou com a decepção. No primeiro tempo, no Maracanã, levou dois e esteve perto de tomar outros. O pênalti cavado por Zé Roberto reabriu-lhe as portas para a decisão. Desde que jogue bem, o que não faz há bom tempo. Contusões pesam, porém não tanto quanto escolhas equivocadas do técnico Marcelo Oliveira.

Viva o Rei. Pelé faz 75 anos?! Puxa, parece que foi ontem que desmontava defesas e levantava plateias pelo mundo, com dribles, passes e gols inigualáveis. Salve o maior jogador de futebol de todos os tempos. Um gênio, por bênção nascido no Brasil.

 

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