A nova Gotham City

A grande façanha da semana foi a sapatada que um jornalista iraquiano lançou sobre o presidente americano George W. Bush. O gesto retrata com precisão o sentimento de revolta de um cidadão indignado contra a intromissão estrangeira na vida de seu país. A guerra inventada pelos americanos para depor um "inimigo da nação" destroçou o Iraque. Quem foi que disse para os gringos que eles são os salvadores do mundo? Essa antiga idéia de que os superpoderes que somente possuem os super-heróis podem resolver todos os problemas só funciona em história em quadrinhos. Na vida real acaba sempre dando errado. Os problemas não desaparecem num passe de mágica e, em geral, os truques acabam por escondê-los em baixo do tapete. E, assim como bolor na umidade, sujeira em baixo do tapete só faz crescer e se multiplicar.Grandes jogadas só têm efeito quando feitas pelos astros dentro de campo. As articulações mirabolantes que surgem nos bastidores das Federações de Futebol, nos escritórios dos cartolas, nos sorteios dos árbitros ou nas confecções de tabelas são intervenções cheias de artificialidade que tentam manipular as forças naturais. Podem segurar temporariamente uma decepção, mas não conseguem evitá-las. Clubes mal-administrados acabam por cair, times despreparados acabam por perder, jogadores destreinados acabam por decepcionar. Temos exemplos por todos os lados, em todas as séries.Nesse período de férias os times começam a se preparar para o ano que chega. Cada um à sua maneira, com competência ou afobação, com dinheiro próprio ou emprestado, muitas ações já estão em andamento, algumas transparentes, outras feitas estrategicamente sob o manto da escuridão.No que será que irão resultar? 2009 vai nos dizer.Daqui a pouco abre-se mais uma das malditas janelas do mercado europeu. Talvez a crise do sistema financeiro mundial arrefeça o apetite dos predadores. Os cofres do além-mar parecem estar mais vazios. Mas, como os nossos também estão, pode ser que isso só signifique uma redução no preço dos jogadores e nos seus respectivos salários. Mas é sempre o talento que faz a oferta. Se a cada anos que passa surgem poucas revelações, para o ano seguinte sobra quase nenhuma delas. Essa é a lei que impera. A voracidade do consumo tem pressa de reabastecer com novidades a falta de consistência. Quantas promessas não se desenvolvem em efetivo talento por mera precipitação? O fato é que nessa época do ano ficamos em compasso de espera.Torcedores se entendem com o resultado do ano que passou. Alguns ainda jogam fora os rojões estourados, outros já estocam rojões para futuras comemorações. No ano que vem veremos o fenomenal Ronaldo jogando no Corinthians. Com Ronaldo tudo pode acontecer. Se há algum ser humano que parece ter superpoderes, esse homem é Ronaldo. Ele sim, para mim, é o verdadeiro super-herói. Conseguiu fazer de São Paulo uma nova Gotham City.

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