Imagem Reginaldo Leme
Colunista
Reginaldo Leme
Conteúdo Exclusivo para Assinante

A novela na McLaren

O Mundial de Fórmula 1 não terminou para Jenson Button e Kevin Magnussen. A novela para decidir quem será o companheiro de Fernando Alonso na McLaren ainda promete muitos capítulos, simplesmente porque não depende apenas de quem é o preferido, se o que vale mais é a experiência ou a juventude ou mesmo do retrospecto da temporada em que eles correram juntos. É também uma questão de dinheiro, algo que anda em falta na equipe que já foi a mais rica da Fórmula 1. Isso explica não uma preferência pessoal, mas uma tendência de Ron Dennis a acreditar que é mais fácil atrair um investimento da Dinamarca em Magnussen do que conseguir um patrocínio que pague o alto salário de Button.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2014 | 02h05

Ele não está errado. Embora já tenha ouvido um "não" da dinamarquesa Lego, o que é preciso para manter o novato na equipe é bem menos do que para ter Button ao lado de Alonso. Mas, se a equipe não se visse obrigada a pensar com o bolso, tecnicamente Button seria a escolha óbvia por ter mais a oferecer no momento em que a McLaren volta a ter a Honda como parceira - o que implica um desafio duplo: desenvolver um motor totalmente novo, enquanto Mercedes, Renault e Ferrari já passaram por um ano de experiência, e conseguir uma melhora significativa em um carro que em nenhum momento se mostrou competitivo durante o campeonato. Alonso sabe bem disso, e não esconde sua preferência por Button (34 anos de idade, 15 de F-1, 266 GPs disputados, 15 vitórias e 50 pódios). Sem receio de já criar com Magnussen um clima tenso como aquele da primeira passagem do espanhol pela McLaren, junto com Hamilton, no ano de 2007.

Alonso não está nem aí para nada disso. Ele é, na F-1 atual, o único que fala o que pensa, não se importa com a opinião dos outros e, ainda, tem plena certeza de que não existe um piloto tão capaz quanto ele. No máximo, faz um desconto quando se trata de Hamilton. É o único que ele respeita.

Voltando à novela da McLaren, ainda tem o belga Stoffel Vandoorne correndo por fora. Vice-campeão da GP2, já é piloto reserva da equipe e, assim como Magnussen, cria da casa. Vandoorne poderia se beneficiar a curto prazo de uma eventual escolha de Button, que, provavelmente, faria só um ano de contrato, deixando aberto o caminho para o belga. Curiosamente, como os caminhos desses pilotos que chegam ou estão prestes a chegar à F-1 sempre se cruzam, Magnussen e Vandoorne foram campeão e vice na Fórmula Renault 3.5 em 2013.

Como estreante, Magnussen não foi mal, mas esperava-se mais dele. Marcou 55 pontos, contra 126 de Button, e perdeu de 15 a 4 nas corridas. Mostrou velocidade, mas, por arriscar muito, também bateu bastante. Ainda sem um patrocinador principal, a McLaren correu as três últimas etapas do ano usando o nome da SAP, que é uma tradicional parceira de tecnologia de sistemas de telemetria em tempo real. É muito provável que, junto com Alonso, chegue um patrocinador - que, aliás, vai pagar o salário do espanhol, mas Ron Dennis vai continuar tentando atrair investidores dinamarqueses, que andam entusiasmados com a Fórmula 1 e querem negociar com Bernie Ecclestone a criação de um GP em 2018. Isso diminui a chance de Button, mas eu continuo torcendo por ele. Se não der certo, a F-1 perde um de seus campeões em atividade e um grande caráter.

Mudanças importantes como as de Alonso e Vettel já criam uma grande expectativa para a temporada de 2015. Embora o desafio do espanhol não seja pequeno ao assumir uma equipe partindo do zero com o seu novo motor Honda, acredito que o grande desafio mesmo é o que Vettel vai enfrentar. Alonso, apesar dos cinco anos de Ferrari sem conseguir um título, não tem nada a provar. Vettel, ao contrário disso, depois de quatro títulos consecutivos, passou 2014 comendo poeira do novato Ricciardo. Agora vai pegar uma Ferrari que só andava nas mãos de Alonso. Para provar que não foi apenas um produto das mágicas criações de Adrian Newey, Vettel terá de ser regularmente meio segundo mais veloz do que Raikkonen. Esse é um desafio de gente grande.

Tudo o que sabemos sobre:
reginaldo leme

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.