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Antero Greco
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A opção tricolor

Não gosto de expressões como "o jogo da vida", "batalha pra entrar na história", "duelo do século", "a hora da verdade", e exageros do gênero. Há partidas com valor imenso, memoráveis, notáveis, etc. Mas, na busca pelo diferente e por audiência, banalizaram a dramaticidade, desgastaram imagens. Ressalva feita, vamos ao que interessa: o São Paulo pode definir o futuro dele na temporada hoje à noite, diante do San Lorenzo, no Morumbi, na virada de turno na Libertadores.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

18 Março 2015 | 02h01

Antes que você me acuse de também cair na exorbitância que critico (e caí mesmo), deixe argumentar por que o São Paulo chega a momento crucial tão cedo. De maneira bem simples e direta; me siga na conversa.

A turma de Muricy, assim como o San Lorenzo, tem 3 pontos em duas rodadas; ambos estão atrás do Corinthians, o favorito na chave. Eventual segunda derrota, em tão pouco tempo, complica a vida de qualquer um. Na teoria, porém, é pior para os tricolores, por atuarem em casa de novo. A pressão aumentaria na visita ao próprio San Lorenzo e tornaria dramático também o jogo com o Danubio. Resumo da ópera: para não correr riscos, nem usar de calculadora ou entrar em parafuso, o São Paulo tem de vencer. Ponto.

Tarefa fácil? De jeito nenhum. Sem recorrer ao chavão de que os argentinos são sempre complicados, aguerridos, tinhosos e blablablá, vale ao menos lembrar que ostentam o título de campeões continentais de 2014. O time que faz o papa Francisco vibrar não é um conjunto tão equilibrado como o do ano passado, passou por alterações, porém não é galinha morta.

Para apimentar, há a etapa delicada que o São Paulo vive. Não é de agora, repare, mas um tal de jogar lenha na fogueira aqui, ou de bombeiros em ação ali, um dirigente acolá que não conversa com outro, ou um cartola que não gosta do treinador. Já se falou até em má vontade de jogadores - de todas as alternativas, nessa não creio.

Enfim, a maré não está mansa. Muricy não caiu de paraquedas na função, tem décadas de estrada e sabe que a porca torcerá o rabo se o São Paulo travar no desafio desta noite. A alternativa se resume a ganhar e, de contrapeso, jogar bem. É preciso convencer o torcedor de que há qualidade suficiente para espantar os pontos de interrogação e atrair só os de exclamação! Imprescindível embalar, acertar de vez.

Muricy recorre àquilo de que dispõe como o melhor. Depois de rodízios e recuperação de jogadores, tem Bruno e Carlinhos nas laterais, Ganso de volta após descanso prolongado no Paulistão, além da dupla de frente formada por Centurión e Pato. Ambos ultrapassaram Alan Kardec e Luis Fabiano, pela regularidade, eficiência e facilidade para movimentar-se, abrir e fechar espaços. O sucesso da empreitada passará muito pelo desempenho dos dois rapazes e pela inspiração de Ganso.

Não adianta apelar para o papo de cautela. Isso muitas vezes pode virar apenas uma maneira de escamotear a falta de atrevimento. Cabe ao São Paulo mostrar, desde o apito inicial, que não será acanhado em casa.

Sem cair no erro grotesco e ultrapassado de imaginar que prevalecer como mandante seja o mesmo que descer o sarrafo. Essa lenda já enterrou muitos sonhos brasileiros na Libertadores - e no próprio Morumbi como palco, para diversos clubes. Impor-se na bola, na boa, na boca do gol do San Lorenzo. Uma noite sem meios-termos: ou engata uma quinta e arranca ou arrebenta o câmbio.

Por falar nisso... O Corinthians aumentou a responsabilidade tricolor, com os 2 a 1 pra cima do Danubio, na noite de ontem, em Montevidéu. Aproveitamento integral da moçada de Tite - sem tomar gol, sem sufoco e com folga. Nem o gol que levou no finalzinho tirou o brilho do sistema defensivo, pra variar outra vez o ponto alto. Os contragolpes também funcionaram, embora a pontaria nem sempre. Como no pênalti chutado por cima por Renato Augusto. O Danubio é rival para o qual não se pode ceder pontos.

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