A prata foi pouco para Guilheiro

Brasileiro conquista medalha inédita para ele na categoria adulta, mas lamenta derrota em luta decisiva

Amanda Romanelli, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2010 | 00h00

Leandro Guilheiro fez jus às expectativas do mundo do judô e chegou à final do Mundial de Tóquio na categoria dos meio-médios (-81 kg). O paulista de 27 anos terminou com a medalha de prata no peito - seu primeiro pódio no torneio -, mas ficou insatisfeito. "É uma sensação estranha. Esta medalha teve um gosto amargo", disse o judoca, em entrevista por telefone ao Estado, após a derrota para o coreano Jae-Bum Kim na prorrogação. "Passei por um dia longo, cansativo e, no fim, acabou não dando certo", afirmou, descontente por ter deixado o ouro escapar.

Depois das sete lutas que disputou - e tendo perdido justamente a última delas -, Leandro só queria dormir. "Quem sabe amanhã vou engolir um pouco melhor este resultado? Quero dar o valor que esta medalha realmente tem", admitiu. "Fiz uma temporada muito boa, ainda mais considerando que acabei de subir de categoria."

Duas vezes campeão olímpico - foi bronze em Atenas/2004, com apenas 21 anos, e repetiu o 3.º lugar nos Jogos de Pequim, em 2008 -, Leandro ainda não havia obtido o mesmo sucesso em Mundiais adultos. Foram três participações, todas no peso leve (-73 kg), com o 7.º lugar de 2005, no Egito, como sua melhor posição. "Era algo que todos cobravam, não só eu. Fui medalhista em vários eventos, só faltava o Mundial." Na verdade, os fracassos só haviam ocorrido em torneios adultos, já que o judoca garantiu o ouro no Mundial Júnior da Coreia do Sul, em 2002.

Em dezembro passado, Leandro decidiu mudar de categoria. Estava com dificuldades para manter o peso devido a um intenso trabalho de fortalecimento muscular, necessário para a prevenção das lesões que o atormentaram entre 2003 e 2008. O fracasso no Mundial de Roterdã, no ano passado, quando caiu nas oitavas de final, foi preponderante para que se decidisse pela mudança, afirmou.

E, a contar pela temporada, Leandro não tem do que reclamar. O brasileiro ganhou medalha em praticamente todos os torneios que disputou no ano, que garantiram a ele a 3.ª posição no ranking mundial dos meio-médios - a melhor posição dentre os 17 brasileiros.

A listagem é fundamental para a conquista de uma vaga na Olimpíada de Londres, em 2012. A prata, aliás, dará mais 300 pontos a Leandro Guilheiro - ao fim do Mundial, ele deve assumir a vice-liderança do ranking.

Duelo de amigos. Leandro passou bem por seus cinco primeiros rivais. Derrotou o letão Konstantins Ovchinnkovs, o argentino Alfredo Effron, o japonês Takahiro Nakai, o italiano Francesco Bruyere e o russo Sirazhudin Magomedov por ippon. Mas, na semifinal, o destino lhe pregou uma peça: o oponente era o brasileiro e amigo Flávio Canto, de 35 anos, que voltou a disputar um Mundial depois de sete anos.

O lado emocional precisou ser controlado, admite o medalhista. "Foi uma situação meio esquisita, porque nunca imaginei enfrentá-lo num Mundial. E sabia que a minha felicidade significaria a tristeza dele." O encontro ocorreu porque, neste ano, a Federação Internacional permitiu que os países inscrevessem até dois atletas do mesmo peso.

Flávio não conseguiu medalha - na repescagem, foi derrotado pelo britânico Euan Burton e terminou em 5.º. "Se ele tivesse ao menos conquistado o bronze, dividiríamos o pódio."

Com o resultado de Leandro Guilheiro, o Brasil chegou à sua 21ª medalha em Mundiais - quatro ouros, quatro pratas e 13 bronzes. No primeiro dia da competição, a gaúcha Mayra Aguiar, de apenas 19 anos, também foi vice-campeã.

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