A primeira vaia de Ronaldo

Treino impede astro de ficar em evento do novo parceiro corintiano e funcionários protestam

Fábio Hecico, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

Ronaldo chegou ao Corinthians dizendo-se preparado para tudo, até para receber vaias. Só não esperava que elas viessem fora dos campos. Ontem à tarde o atacante, ao lado dos amigos/companheiros André Santos e Dentinho, foi convidado para ser garoto-propaganda do lançamento do patrocínio com a Batavo. Na sede da empresa, apenas mostrou a nova camisa e não deu atenção aos funcionários, levando um tremendo "uh" ao deixar o local, às 14h44.Justamente no dia em que a diretoria prometia grande festa para anunciar acordo de R$ 18 milhões, "o maior do Brasil", não se cansou de dizer o presidente Andrés Sanchez, a saia-justa quase estragou o evento.A Batavo estava tão orgulhosa em voltar a patrocinar o Corinthians - estampou sua camisa em 1999 e 2000 - que fez questão de fazer o lançamento do acordo em sua sede, no Jaguaré. Os funcionários ganharam "uma hora de folga" para fazer uma foto, todos perfilados, com os jogadores. Mas acabaram frustrados, já que os atletas deixaram rapidamente o local, e Ronaldo foi acusado de estrela. "Ele nem olhou para a gente", reclamou uma funcionária, que gostaria de um autógrafo.O Fenômeno ainda causou mal-estar ao não vestir a nova camisa, apesar do pedido dos fotógrafos. "Vou vesti-la no domingo (amanhã)." Depois, virou-se aos colegas e ordenou: "Vamos trabalhar." O time tinha treino às 15h30 e um helicóptero foi contratado para a locomoção dos jogadores. Os serviços de táxi aéreo em São Paulo para três passageiros custam, em média, R$ 2 mil por hora.O Corinthians tratou apenas como um desencontro, já que a Batavo não sabia que haveria o trabalho do Parque Ecológico. Andrés, então, mostrou jogo de cintura e pediu para os componentes da mesa - Luís Paulo Rosemberg, diretor de marketing do clube, José Antônio do Prado Fay, diretor-presidente da Perdigão (a Batavo é uma marca da empresa de alimentação), e Eric Boutaud, área de marketing da Batavo, vestirem a camisa. "E não tem esse papo de que foi um acordo abaixo do esperado. Se pegarmos os acordos avulsos, passamos de R$ 20 milhões. Estamos muito contentes, foi o maior dos últimos anos do Brasil, para não falar da história", festejou Andrés, que usou da ironia para falar o que vai fazer com o dinheiro. "Aplicar na poupança", disse. A sério, falou que tudo será investido no futebol. "Sou gremista e vou ter de ficar um bom tempo sem ir a Porto Alegre. Mas a camisa ficou muito bonita, preta, branca e o azul da nossa marca", brincou José Antônio, que até beijou o símbolo do Corinthians. "Estamos orgulhosos de voltar a fazer parceria com uma marca vitoriosa e espero seguir com o Corinthians no ano que vem", informou, já planejando a continuação do acordo no ano do centenário corintiano.Rosemberg, aliviado pelo fim das negociações, fez discurso emocionado. Pediu desculpa por não ter atendido os jornalistas, agradeceu aos antigos parceiros e revelou que 15 empresas negociaram para colocar seu nome na camisa alvinegra.

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