A queda dos bad boys

Não há nenhum crime nos altos salários de jogadores como Neymar e Damião, desde que deem retorno aos clubes e patrocinadores, sejam profissionais e disciplinados e respeitem o público. O ano se encerra com três casos clássicos de atletas que ganham muito, mas não se encaixam nesse perfil. Eles terminam 2011 como derrotados e simbolizam mudança importante no futebol: o espaço dos bad boys tem diminuído a cada temporada. Refiro-me a Adriano, Valdivia e Kleber.

EDUARDO MALUF, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2011 | 03h06

Os jogadores de grandes clubes são pessoas públicas e, consequentemente, vitrine para a sociedade. Têm remuneração invejável, fama e praticam a atividade dos sonhos de muita gente. Mas também existe um preço a pagar. E o comportamento ético, mesmo longe dos gramados, deveria estar embutido no contrato.

Ninguém vê pecado em sair na noite de vez em quando e tomar uma cervejinha. Com moderação. O corpo, afinal, é a ferramenta de trabalho desses famosos rapazes. Um desentendimento esporádico com um colega, treinador ou dirigente também pode ocorrer. O problema é quando se torna algo frequente.

Adriano, que poucas vezes entrou em campo pelo Corinthians, parece ainda longe de recuperar a forma. Nos últimos dias, envolveu-se em nova confusão e corre o risco de perder mais uma oportunidade na carreira. Andrés Sanchez anda expondo por todos os cantos sua irritação com o milionário atleta. Talvez tenha errado ao apostar num personagem com histórico tão complicado.

Valdivia passou dos limites para quem teve tantos problemas físicos e pessoais e pouco contribuiu para o clube que pagou mais do que poderia para recontratá-lo. Além das lesões e noitadas, quase nada fez quando jogou. Mais reclamou com a arbitragem do que deu passes para gols, e chegou a ser cortado de uma partida da seleção chilena por ter aparecido num treino em "estado inadequado", segundo o treinador Claudio Borghi. O ato final não poderia ter sido pior: expulsão contra o Corinthians.

Kleber nunca deixou de se dedicar. Arrumou, porém, uma série de problemas com dirigentes e comissão técnica, quase não marcou gols e desfalcou o time em boa parte dos jogos por contusão. No primeiro semestre, desentendeu-se com a diretoria por causa de um interesse do Flamengo em levá-lo para o Rio. Forçou a saída do Palestra Itália de forma inadequada, já que tinha contrato com o Palmeiras. Depois do fracasso da negociação, em confronto com o próprio Flamengo, deu um bico no fair play ao tentar fazer gol num lance em que deveria ter devolvido a bola ao adversário. Mais tarde, entrou em atrito com Felipão e acabou dispensado. O recomeço será no Grêmio.

O trio serve de exemplo para quem acha que só a inspiração é suficiente para fazer sucesso. O futebol não tolera mais desleixo e indisciplina. Em 2012, esses três bad boys têm duas opções: respeitar mais a bola (e os torcedores) e voltar a brilhar ou começar a trilhar o caminho da decadência.

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