A raiz do descenso

O diagnóstico do rebaixamento do Palmeiras em 2002 foi feito um ano depois, em conversa com o então presidente Mustafá Contursi, no Centro de Treinamento da Rodovia Ayrton Senna, reservado às divisões de base. Perguntei: "Pode ter sido pela falta de um dirigente profissional no departamento de futebol?" Ele respondeu: "Pode!"

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2012 | 03h02

Só vai concordar quem assistiu in loco à dilapidação do departamento, entre a saída da Parmalat e a queda para a Segundona. Em 1993, o olho do dono era representado pelo vice-presidente Serafim Del Grande, pelo diretor Gilberto Cipullo, pelo diretor da Parmalat, José Carlos Brunoro. Em 1999, ano do título da Libertadores, havia o diretor da Parmalat, Paulo Angioni, e o gerente de futebol, Sebastião Lapola. Em 2002, só Lapola, espião de Mustafá, e um grupo de estrelas, uma querendo matar a outra.

Como explicar o rebaixamento de uma equipe com Marcos, Sérgio, Arce, Leonardo Moura, Fabiano Eller, César, zagueiro ex-Portuguesa, Zinho, Dodô, Nenê, artilheiro do Campeonato Francês da temporada passada pelo Paris Saint-Germain? O ambiente era perverso! E não havia quem tivesse autoridade para entrar na jaula.

É diferente a história de 2012, leve ou não ao rebaixamento. Não havia nos últimos 2 meses de Felipão hostilidade, como houve entre maio e outubro de 2011 - a fase anterior à crise que provocou o rompimento de Felipão com Kleber.

Não pode ter sido superestimado um elenco jamais apontado como forte, jamais considerado acima de ser a quarta força na comparação com Corinthians, Santos e São Paulo. Com menos jogadores, esse mesmo elenco foi 11.º colocado durante a guerra do vestiário de 2011, 10.º lugar em 2010. Não há razão para ser 19.º desta vez.

A não ser a concentração na Copa do Brasil durante as primeiras oito rodadas, de 5 pontos conquistados em 24 disputados, contra 15 somados no mesmo período de 2011. Isso produz quebra de confiança em si mesmo, não no técnico. Na volta da derrota para o Vasco, no Rio, o lateral Juninho confessou não se sentir capaz para marcar por dentro, como Felipão queria. "Sempre joguei lateral contra lateral." Ora, mas nas finais da Copa do Brasil ele fazia o mesmo serviço. E bem!

A melhor opção para substituir Felipão era Jorginho. Não por ser um estrategista, mas por conhecer o ambiente, o elenco e produzir no imaginário palmeirense a lembrança de que teria sido campeão em 2009, se Muricy não fosse contratado.

Antes do Palmeiras x Corinthians de 2002, o time tinha cinco jogos apenas para sair da penúltima colocação. A favor, naquela época, o fato de ter só dois pontos de distância para a salvação - hoje são oito, porque o Flamengo tem um jogo a menos.

A favor, hoje em dia, um grupo de jogadores que já fez mais do que se esperava deles ao ganhar a Copa do Brasil. E que não está em guerra, como há um ano, ou como há dez. Um grupo de estrelas como Dodô, Zinho, Arce, Leonardo Moura e Fabiano Eller tem seu nome escrito nas páginas do rebaixamento. O ambiente ruim levou a isso.

O Palmeiras precisa criar um ambiente que inverta o eixo do descenso. Vencer ou perder do Corinthians tem tudo a ver com isso.

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