Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

A receita de sucesso de Teddy Riner, o judoca mais vitorioso da história

Conheça os segredos do atleta que está invicto desde 2010 e possui duas medalhas de ouro olímpicas no currículo

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2019 | 04h34
Atualizado 09 de outubro de 2019 | 13h15

São 152 lutas seguidas pisando no tatame e saindo vitorioso delas. A hegemonia de Teddy Riner na categoria dos pesados (acima de 100kg) do judô vai muito além da inegável qualidade técnica e é fruto de uma combinação de fatores. Mesmo sendo estudado por seus adversários, ele dificilmente é neutralizado nos combates. Até por isso não perde desde 13 de setembro de 2010. A última vitória foi na terça-feira, contra o brasileiro David Moura, no Grand Slam disputado em Brasília.

Um dos segredos do bicampeão olímpico é ter transformado sua categoria, que antes era composta por muitos atletas pesados e lentos, em um segmento que agora conta com judocas fortes, grandes e mais ágeis. Desde a ascensão do francês Riner, os atletas perceberam que teriam de ter um condicionamento físico muito melhor.

E esse talvez seja o principal trunfo de Riner. Para ter um ótimo preparo, ele costuma correr em subidas, como escadas de estádios e montanhas. O judoca adora atividades ao ar livre e sempre que pode faz esse tipo de exercício que, segundo ele, melhora sua condição física e ajuda na hora das competições.

Após vencer o Grand Slam de Judô em Brasília, o judoca disse que vai selecionar os próximos campeonatos de que participará e que busca apenas o ouro na Olimpíada de Tóquio, em 2020. “Sinto-me muito bem e feliz. Hoje foi um grande dia. Eu treinei e trabalhei duro. É importante ter grandes dias como esse para os Jogos Olímpicos porque eu quero a medalha de ouro, não quero a de bronze ou de prata. Acho que é bom para o futuro quando eu luto como hoje ”, disse Riner.

Sendo mais ágil e mais bem preparado, ele pode "amarrar" a luta para os minutos finais e vence porque seu rival já estará bastante desgastado. Com suas atuações, ele está mostrando que a categoria dos pesados tem pouco espaço para "gordinhos" e agora quem quiser tirar sua invencibilidade sabe que precisará estar bem preparado.

Para conseguir ter o corpo que considera mais adequado, o gigante de 2,04m de altura diminuiu a quantidade de gordura corporal com uma boa alimentação. Ele também faz um trabalho pesado de musculação, que inclui levantar peso, fazer flexão e barras e utilizar outros equipamentos de academia. Também costuma pular corda, para ganhar resistência, equilíbrio e coordenação motora.

Mesmo com 135 kg, ele consegue ter um bom fôlego graças aos seus treinos físicos diários. O próprio Riner já declarou que não vê a maioria dos seus adversários fazendo corridas em subidas, ou seja, isso é uma arma de sua preparação. Aliás, sempre inicia suas atividades físicas com uma corrida de 20 minutos, em grupo com seus companheiros.

Aos 30 anos, ele disse que deseja parar de lutar nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024.  “É um projeto, meu alvo... Eu quero parar em Paris, mas a carreira é muito difícil. Meu primeiro projeto é Tóquio. E depois se meu corpo e minha cabeça estiverem bem vou a Paris para o final. Depois, nunca mais." 

Outro ponto importante de Riner é que, de uns anos para cá, ele passou a não se expor tanto nas competições internacionais. Ele sabe que enfrentar os mesmos adversários com muito frequência pode colocar em risco sua invencibilidade. Então, mais maduro, não disputa qualquer evento e tem escolhido a dedo quando vai competir.

Com uma rotina árdua, o descanso também faz parte do treinamento de Riner. Ele chega a tirar um cochilo de uma hora depois do almoço e dorme no mínimo oito horas por noite. O judoca sabe que o cansaço pode fazer com que ele tenha alguma lesão. Por isso seu descanso é religioso.

Em suma, o segredo do sucesso de Teddy Riner está na combinação de fatores que inclui talento, uma preparação física forte, com corridas em subidas, dieta adequada para ter o corpo forte e com baixa porcentagem de gordura, escolher com rigor as competições que vai entrar e garantir seu descanso. Isso fará com que ele consiga render até, pelo menos, os Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, quando quer ser campeão em casa e, quem sabe, encerrar a carreira.

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