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A Red Bull entra na briga

Por mais que seja complicado fazer uma avaliação do potencial de cada equipe na pré-temporada, ainda mais faltando os treinos de hoje e amanhã para terminar a segunda de quatro baterias de testes, o que foi feito até agora confirma a ideia de uma evolução extraordinária do motor e também do carro Ferrari, a Williams mostrando até mais força que no ano passado e a Red Bull, como se esperava, saindo de cima do muro para se apresentar forte como sempre. Mas todas elas, obviamente, bem atrás da Mercedes. Ontem em Barcelona a Red Bull liderou pela primeira vez, com Daniel Ricciardo marcando 1min24s574, dez milésimos de segundo à frente da Ferrari de Kimi Raikkonen e 98 milésimos da Williams de Felipe Massa.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2015 | 02h02

Embora não tenha sido o carro mais veloz em nenhum dos seis treinos que aconteceram até agora, todos sabem que o W-06 ainda sobra da turma e que a Mercedes continua testando apenas a confiabilidade. Ontem, segundo dia de Barcelona, a equipe se deu ao luxo de mandar seus dois pilotos para a pista. Rosberg fez 66 voltas de manhã e Hamilton, 88 à tarde. E se olharmos a lista dos melhores de ontem, além de Massa em 3.º, ainda aparecem Sergio Perez de Force India (motor Mercedes) em 4.º e, na sequência, Hamilton e Rosberg. São quatro motores Mercedes. Isso sem contar que Pastor Maldonado, com a Lotus, que este ano também usa motor Mercedes, liderou o grupo na quinta-feira, provavelmente treinando com o carro bem leve.

O que comprova que a Red Bull, de fato, reapareceu é que, além do melhor tempo, Ricciardo somou 140 voltas em um dia. Apenas Rosberg, ainda em Jerez, deu mais voltas do que isso (157 em um dia e 151 em outro). A pista de Barcelona, além de mais comprida (4.655 metros contra 4.428 de Jerez), ainda é mais veloz e mais exigente.

Graças aos novos compostos de pneus, como a Pirelli já havia previsto, os carros ganharam em velocidade. Os cinco melhores tempos até agora estão abaixo da pole position do GP da Espanha do ano passado, quando Hamilton virou 1min25s232. O primeiro, de Ricciardo, ficou 658 milésimos 1000 abaixo da pole, o que, para um treino livre, é muita coisa. Se a pista continuar seca em Barcelona, no domingo a diferença estará perto de um segundo. Talvez até ligeiramente acima. Ou, se a Mercedes resolver soltar o freio, bem acima.

A evolução dos motores Ferrari e também os Renault é um fato. Isso já é animador pra quem torce por uma temporada mais equilibrada, embora a gente saiba que esta briga é para se conhecer qual é a segunda força. Mas tem ainda uma outra boa notícia: com a McLaren corrigindo os defeitos do carro (MP4-30), o motor Honda, mesmo no ano de estreia, já pode mostrar alguma coisa do que o histórico da marca na F-1 promete. Ontem Alonso conseguiu dar 59 voltas e já andando a um segundo da Mercedes mais veloz.

E a Sauber ? A liderança de Felipe Nasr no terceiro dia em Jerez teria sido apenas casual? Não é o que parece. Felipe repetiu o bom desempenho em Barcelona anteontem em apenas metade do treino, até ser tirado da pista por Susie Wolff (reserva da Williams) e Marcus Ericsson fez ontem o trabalho duro de testar a confiabilidade do carro, sem andar rápido, mas fazendo 113 voltas. O C34 parece ser um bom carro e, como os dois pilotos são novos na Sauber, também a ambientação na equipe e a comunicação com os engenheiros tende a melhorar dia a dia. Ericsson continua no cockpit hoje e Nasr fecha os treinos no domingo.

O grid da F-1, hoje reduzido a nove equipes, pode ter de volta a Marussia, só que com o nome original de Manor, com a qual ela conquistou uma vaga no Mundial de 2010, antes de ser Virgin (nome de um patrocinador que não cumpriu contrato) e, depois, Marussia, marca da indústria automobilística russa. A Manor fez sua fama, quando levou Kimi Raikkonen, campeão da F-Renault em 2000, diretamente para a F-1. Nos melhores tempos da F-3 inglesa, foi campeã com Lewis Hamilton, e venceu o GP de Macau com o brasileiro Lucas do Grassi. A Ferrari já garantiu o fornecimento de motores, mas o Grupo de Estratégia da F-1 não está disposto a aceitar a inscrição do carro de 2014. E vem aí em 2016 o norte-americano Haas Racing Team.

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