A Red Bull já cumpriu seu objetivo

Para o diretor-técnico e projetista Adrian Newey, a vitória do campeonato de construtores foi grande objetivo

Livio Oricchio, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2010 | 00h00

Fernando Alonso é considerado por muitos o piloto mais completo da Fórmula 1. Mas não é unanimidade. Já Adrian Newey, projetista e diretor-técnico da Red Bull, tem o reconhecimento de todos na Fórmula 1 como o principal responsável pela equipe ter vencido o Mundial de Construtores, domingo, no Autódromo de Interlagos, e seus pilotos, Mark Webber e Sebastian Vettel, terem boas chances de serem campeões em Abu Dabi.

Hoje será disputada a sessão de classificação, última do campeonato, às 11 horas de Brasília.

Nessa entrevista exclusiva ao Estado, Newey faz uma declaração surpreendente e que vai ao encontro da política geral da Red Bull de não intervir na disputa entre seus pilotos, mesmo que isso lhes custe o título de pilotos. "Eu queria mesmo era vencer o campeonato de construtores e consegui. Quando aceitei o desafio de fazer a Red Bull tornar-se uma organização vencedora sabia que teria de trabalhar muito. Agora obtivemos êxito."

E nem demorou muito. Newey deixou a McLaren no fim de 2006, com carta branca para fazer da Red Bull uma escuderia campeã.

Mas não dói ver que seu carro é superior ao demais, 14 poles, 9 vitórias e, de repente, não tem o piloto campeão? "Claro que fiquei chateado na Turquia quando Vettel e Webber se tocaram. Espero que tenham aprendido. Adoraria conquistar o título de pilotos também, vamos ver, mas tenho muito prazer quando vejo nosso carro dominando completamente uma competição."

Na Hungria, o projeto de Newey parecia pertencer a outra categoria, tal a diferença no desempenho para a concorrência. Essa hegemonia parece alimentar Newey tanto quanto, quem sabe mais, que a eventual vitória no campeonato de pilotos, pois aí entra a direção esportiva e essa não é sua área.

Vettel ou Webber? "Não importa quem (seja campeão), desde que com o meu carro", responde. O engenheiro aeronáutico inglês, que tem como ídolo o ex-fundador da Lotus, o também super-criativo Colin Chapman, falecido em 1982, evita ao máximo as questões esportivas, de responsabilidade de Christian Horner. Mas faz questão de lembrar as acusações que sofreu este ano. Prineiro de Ross Brawn, da Mercedes, que afirmou que a Red Bull tinha um carro que controlava a altura do assoalho, e depois de Martin Whitmarsh, da McLaren, acusando o carro de Adrian Newey de ter aerofólios móveis, proibidos.

"Foi de dar nojo." É a primeira vez que o diretor-técnico da Red Bull manifesta-se assim. "A FIA até reviu e ampliou as solicitações nos testes para ver se havia algo errado, acompanhado por todos, e nada foi encontrado." Falou mais: "Eu nunca havia visto um ambiente como o que criaram, uma vergonha." Os projetos de Newey ganharam o Mundial de Pilotos em 1992, na Williams, com Nigel Mansell, 1993, Alain Prost, 1996, Damon Hill, e 1997, Jacques Villeneuve. Na McLaren, foi campeão com Mika Hakkinen em 1998 e 1999.

Apesar de estar curtindo, ainda, a conquista do Mundial de Construtores, como afirmou sua maior meta, Newey dedica já muitas horas de estudo para o modelo do ano que vem. O regulamento muda de novo, com a proibição do duplo difusor, recurso aerodinâmico, e a substituição dos pneus Bridgestone pelo Pirelli. "Nunca vi isso na minha vida. A concepção geral do nosso carro está pronta. Mas não temos ideia das características dos pneus. Treinaremos apenas dois dias aqui, semana que vem. Não será mais possível uma mudança radical no projeto."

Para Newey, o grupo de engenheiros que melhor reagir entre entender como os pneus Pirelli vão funcionar e adequar o carro, praticamente pronto, as suas características, deverá vencer o próximo Mundial. "Teremos surpresas, com toda certeza, ao menos no início."

Hoje ele vai estar na mureta dos boxes torcendo pela 15.ª pole de seus pilotos na temporada, o que poderá facilitar vencerem outro campeonato, o mais importante para a maioria, o de pilotos. Menos para Newey.

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